segunda-feira, 23 de novembro de 2009

OUTRO DIA

Quando encontro as palavras

Perco-te nas ruas cruzadas

Admiro na esquina o surrealismo de Dali

Daqui...Admiro tuas formas no jardim...

-------------------------------------------------

Outro dia numa livraria encontrei Drummond na estante

No instante que meus olhos cruzaram a vitrine

Vi teu sorriso postar um dia lindo

Daqui...Admiro tuas formas no jardim...

--------------------------------------

Quando encontro as palavras

A chuva molha o papel

Sinto-me perdido na torre de Babel

Daqui...Admiro tuas formas no jardim...

-------------------------------------------

Outro dia numa livraria encontrei teus olhos no instante

No instante que a felicidade se espalhava em lágrimas na estante

Admiro tuas formas no jardim

Daqui...Encontro palavras para definir meu amor por ti...

-------------------------------------------------------

... No instante que meus olhos cruzaram tuas formas no jardim...

23/11/2009 MAURO ROCHA

terça-feira, 17 de novembro de 2009

AZUL TURQUESA

Hoje inventei o dia

Ontem inventei a noite

Mas quem me inventou?

A imagem retorcida no espelho?

O desejo de ser ou não ser?

De estar onde estou?

Ou apenas teus olhos cristalinos

Que invade meu mundo

E me vê sorrindo tímido

Com vergonha do teu olhar

Com o deslumbre do mar

Com o poema

Que fala da ema

Que nem diz tudo

Que fica mudo

Como meus olhos

Que te vê...

Hoje inventei o dia

Um dia de outono...Cheio de poesia...

Hoje inventei a noite

Uma noite nua...


MAURO ROCHA 21/11/2009



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

OLHOS PROFUNDOS

Penso na chuva que escreve teu nome

Fujo da loucura e do caos

Alguém tem que fazer algo além do horizonte

Falta controle e segurança em Mohenjo Daro... *

---------------------------------------------------------------------

A saudade vem no vento com seus cabelos esvoaçantes

O mundo mutante grita a todo instante

O que digo agora que Claude Lévi-Strauss seguiu outro caminho?

Abro a porta e digo bom dia, boa tarde, boa noite ao Transeunte desconhecido...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Não, não me diga que é verdade!

Que só estou aqui de passagem

Agora que me acostumei com a paisagem

Vou acordar para mais uma viagem...

------------------------------------------------------

Penso no sol que beija tuas costas

Mergulho com os golfinhos no mar gelado

Estrelas descansam em areias claras

O mundo mutante grita diante do horizonte deserto...

------------------------------------------------------

Penso no teu nome no meio da chuva

Fujo da loucura e do caos

Procuro refugio no horizonte de teus olhos

Abro a porta e mergulho no desejo de tua palavra...

----------------------------------------------------------

Olhos profundos abismos rasos

A loucura de que fujo é a solidão do caos

Estou aqui de passagem

No meio da chuva para mais uma viagem...

---------------------------------------------------------

MAURO ROCHA 04/11/2009

  • "Mohenjo Daro" significa em Sindhi "Monte dos Mortos."

Mohenjo-daro, Mohenjodaro ou Moenjodaro foi uma cidade da Civilização do Vale do Indo, localizado no Paquistão.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

FLORES DE ESTRELA

Tenho por você amor e admiração
Parece mentira, mas não é não.
Tenho por você respeito e paixão
Parece mentira, mas não é não.
Tenho por você muito tesão
Parece mentira, mas não é não.
Tenho por você um sentimento que parece se igual a todos os homens
Mas não é não.
Porque é por você, que é única e exclusiva
Tua beleza, tua silhueta, tua simetria...
E todos os dias, por ti fico mais apaixonado
Sei que sou louco, difícil e atrapalhado
Mas sem você é como o céu sem estrelas
Pois sem você sempre vai faltar algo...
E todos os dias, tenho por você mais amor e admiração
E todos os dias, tenho por você mais respeito e paixão
E todos os dias, tenho por você mais e muito mais tesão
Por isso digo, digo e repito que te amo
Mesmo que seja só em pensamento
Mesmo que seja por um momento
Mas que seja eterno
Diante do sol
Diante da lua
Diante do inverno
Diante da primavera
Diante de tudo imaginado ou não
Diante do espelho ou nas noites de solidão
Tenho por você amor...


MAURO ROCHA 23/10/2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DIAS DE PROVA

Conto nos dedos, até nos que estão escondidos, o passar do tempo...
O que espero da noite senão estrelas-signos combinatórias e taciturnas
Vou a estante, pego uma conha e escuto o mar que me diz Pessoadianamente:
“Navegar é preciso”
Será? Ou apenas viver basta?
Observo o vento, e suas visitas rápidas,
Brincar com as folhas ou mexer com as matas
Às vezes o vento traz nuvens mal-humoradas
E seus temperamentos tempestuosos
O que dizer das tempestades humanas?
Os sentimentos são desejos perigosos
Observo o horizonte da sala que revela muito mais que móveis
Veja a janela! E o mundo que sai e entra por ela
E a porta! Que se abre para o mundo ou apenas se fecha para ele
E você sentado a minha frente que não é apenas um reflexo no espelho
É um turbilhão de desejos
É um reflexo do medo
É apenas uma criação
É um profissional ou não
Eu um artista notório ou apenas querendo ser ou estar
É apenas um cidadão
É apenas um reflexo no espelho...

Conto nos dedos, até nos que estão escondidos, o passar do tempo...

Será?


MAURO ROCHA 21/10/2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

MESTRE

Saber e ser sabido
E o tempo é nosso amigo
E por falar nele, lembro-me da tia do jardim
E de tudo que aprendi a parti daí

E de todo saber que nos deixa admirado
Pois quem não passou por um banco de escola,
Não sabe e nem tem história
Da primeira paixão ou a admiração do professor

E quem é esse ser tão iluminado?
É aquele que nos ilumina com suas palavras
É aquele que nos conduz nas escolhas
É aquele que nos torna verdadeiros humanos


Por isso o verdadeiro professor
Aquele que tem por sua profissão paixão e amor
Aquele que nos faz sentir saudade dos tempos de classe
Esse ser iluminado pode ser, com carinho, chamado de Mestre

E será sempre chamado de Mestre todo professor
Que sabe e é sabido
Que sabiamente é nosso amigo
E por toda essa lição digo: Obrigado Professor!

MAURO ROCHA 15/10/2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

POEMA NA MESA

Queria ver: Eu!
Queria dizer: Tu!
De repente...Deus!
Sois apenas Um!

As palavras, misteriosas palavras, dilaceradas palavras no jardim
Deixe a porta aberta no dia-a-dia diluído do cotidiano
Faça amor entre onomatopéias liquidificadas no calor
Escute os anjos, a cidade é cortada por ondas de notícias, palavras sem fim

Verde, amarelo, vermelho e o sinal coordena o caos das ruas paradas
A realidade crua é envolvida num etílico brinde para ser vivida
A noite gira num processo de curtição e bate-papos infinitos na net
O silêncio que acontece é o amor que floresce no olhar-carinho que nos veste

Queria ver a madrugada-sorriso e o sorriso da madrugada em tu
Queria dizer que quando fecho os olhos vejo eu-você e você...eu
De repente, em meus delírios noturnos, nos meus pulos-abismos, Deus!
Sois apenas, a imagem no espelho, o verme que rasteja, o homem que muito pensa, um!

As palavras, misteriosas palavras, dilaceradas palavras no jardim...


MAURO ROCHA 08/10/2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

QUARTO MINGUANTE

Quando quero a rua parece nua
Quando quero a alma parece sua
Hoje está indefinida a estação
Hoje está definida a solidão

Navego em livros lisérgicos em busca de palavras esdrúxulas
A fé está onde você encontra, mergulho no abismo de mim mesmo...
Não sinta pena de sua carne e nem reclame do preço que você paga por sustentá-la
O mundo é o mesmo, o que muda são as formas que a humanidade dá ao mundo

Tudo bem, você vai dizer: Quanta acidez!
Mas, será eu ou minha alma que está corroída com tanta insensatez ?
Ou será os delírios de um anjo estatelado na avenida Atlântida?
Ou será a poesia presa na garganta?

Quando quero a rua parece sua
Quando eu quero a lua parece nua
Hoje o dia está lindo
Hoje estou vivo...


MAURO ROCHA 06/10/2009

sábado, 26 de setembro de 2009

COMETA

O tempo veio com sua máscara cheia de rugas
E me fez perguntas lúdicas
A uva que ponho para conservar
É o vinho que sirvo na mesa do jantar

O que eu quero é ser feliz
Eu disse isso coçando meu nariz
Mas isso é o que todo mundo quer
Disse-me o tempo com um ar qualquer

E o vento passa mexendo com as árvores
Agitando as nuvens paradas
Olho para o tempo e me perco em seus horizontes
Mas tudo segue e os relógios dão suas badaladas

Mas nem tudo tem consentimento
Nem tudo está de acordo com o momento
O tempo folheia um livro com algumas folhas em branco
Mal sabe ele que algumas páginas foram arrancadas sem pranto

Veja o que faço! Divago sobre árvores e nuvens
E o poema que nem está pronto
E o amor que chega como um estranho
Abre a porta, a janela, o mundo e anda nas nuvens...

Que loucura minha, minha loucura, sua.
Na cidade vazia e tão cheia de pernas
Que o tempo passa despercebido pela rua
E despercebidamente ando por curvas paralelas

E a folha ainda está em branco esperando o poema
Mas o que direi agora que à noite me encanta?
Serei mesmo o poeta? Ou é apenas a dança do vento?
Cheio de rugas estou diante da máscara do tempo...


MAURO ROCHA 24/09/2009













sexta-feira, 4 de setembro de 2009

PECADO

Os olhos e os lábios em movimento na cidade
Quando abro a porta me deparo com a estação
Salto sem asas para o infinito horizonte da noite
Perdidos procuram a lua...Os loucos de paixão

Na cidade iluminada anjos e demônios cruzam a avenida
Quando abro a porta me deparo com as promessas de um bom ano
Diamantes são lágrimas petrificadas no olhar da Medusa
Perdido, mordo a maçã para sentir o gosto de teu beijo

Os espíritos dançam com seus amores eternos
Quando abro a porta me deparo com desejos mundanos
Não procuro respostas exatas, mas, lúdicas palavras
Os momentos desperdiçados são tesouros perdidos nas lembranças

A lua olha para mim no infinito da noite
Quando abro a porta me deparo com a dança do passado com o futuro
O destino embaralha as cartas...O ás do amor não mira na sorte
Olhos e lábios na cidade em movimento...



MAURO ROCHA 03/09/2009