Peguei o lápis e fiz uma escada
Peguei o papel e desenhei palavras
Hoje é dia e no circo tem poesia
Hoje é noite e a lua se despe de estrelas
O mundo abre suas portas
E eu sigo meus passos
Entre tempestades e tristes chuvas
Entre conhecidos e estranhos mudos
As asas do livro são suas páginas abertas
Hoje estou como Rodin e seu pensador
Intrínseco e liquidificado está o amor
E o outono chega para bagunçar árvores nas ruas
Peguei o lápis e fiz uma parábola
Peguei o papel e fiz um avião
A vida é um sopro na água
Meus passos driblam a solidão
O dia me traz um feixe ultravioleta
Traço palavras cruzadas nas noites com vinho
Abro a primavera com um desenho de borboleta
A vida é um mistério seguido de um sopro
Os anjos observam o mundo...Em alerta
Dos meus olhos tangem a cidade aberta
Qual a palavra certa depois do beijo e do desejo?
De costas mergulho em meu próprio abismo
O mundo abre suas portas
Sigo meus passos
Não procuro somente respostas
Aprendo com os caminhos e seus traços
Hoje estou como um anjo
Um anjo de asa quebrada
Observando o mundo e a palavra
Decifrando os mistérios que regem teu corpo...
Decifrando os mistérios que traçam meu rosto
O mundo se abre na noite nua
A cidade é quente numa sinuosa volúpia
O destino não escolhe a sorte no trevo
Desejo
Medo
Loucura
Amor e paixão na mesma mistura
Levanto pois já é tarde
Espero de frente à igreja
O que se faz com anjos sem asa?
Deseje..Apenas deseje...
MAURO ROCHA 19/03/2010