sábado, 19 de junho de 2010

OLHAR FEMININO

Atento a tudo
Enquanto gira o mundo
Sem deixar de ser sensual
Muitas vezes até fatal...

O olhar feminino...
É um vasto campo desconhecido
Mergulha cego na paixão
Indecisos momentos em solidão

O olhar feminino é claro
É objetivo
É menina doce
É sempre mulher...

O olhar feminino...
É pura sedução
Sonhos de algodão
É o mesmo que está perdido no espaço...

O olhar feminino
Define o indefinido
Às vezes é tímido
Mas nunca deixa de ser um fascínio...


MAURO ROCHA 19/06/2009

quinta-feira, 17 de junho de 2010

DOIS BALÕES

Lancei meus olhos no espaço
Vi estrelas do mar
Abri os braços na velocidade do vento
Por um instante quis te abraçar...

Quantas equações tenho que resolver?
Quantos anjos vão te proteger?
Você sussurra ao vento meu nome
Ou isso foi apenas um truque?

Viajei sete léguas
Entre o paraíso e o inferno
Para beijar teus lábios em movimento
Por um instante acordei em lágrimas...

No vapor da cidade ardo
Entre a multidão grito meu silêncio
Assino a sentença de minhas promessas
Minhas asas no chão, meu coração estancado

Lancei meus olhos nos teus olhos
Vi as ondas do mar
Abri os braços na velocidade do tempo
Por um instante quis te beijar...

Na escuridão da noite procuro passos
Perdidos na tempestade entre as montanhas
Não preciso me lançar entre abismos
Apenas deitar na neve e deixar apagar minhas chamas...


Lancei meus olhos no espaço
Vi estrelas do mar
Por um instante quis te abraçar...
Por um instante quis te beijar...


MAURO ROCHA 17/06/2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CONTROLE REMOTO

Palavras imperfeitas não rimam com nada
No mês da copa esperamos goleada
E para completar o circo e o pão
Ainda temos eleição.

O jornal que leio pouco me diz
O cotidiano que vivo vive por um triz
Agora tem sol, mas a noite tá frio
A moda é o futebol então vamos na onda do verde e amarelo...

É o momento do espírito patriota
No ônibus, no trabalho, nas lojas
Pois somos de uma pátria amada
Salve, salve nossas noites estreladas...

Entre o jornal, revistas e a seleção
O país canta a mesma canção
Meus olhos verdes combinam com tua blusa amarela
A poesia pode vir até do som das goguzelas...

Hoje é quarta e estou disposto
A semana cortada
O beijo no rosto
E a poesia cantada...


Mauro Rocha 16/06/2010

sábado, 12 de junho de 2010

MEU JEITO DE DIZER QUE EU TE AMO

Meu jeito de dizer que eu te amo
Nem sempre está nos planos
Acontece até nos enganos...

E na imensa cidade
Planto cotidianos em dias sem fim
Colho flores em teu jardim...

Meu jeito de dizer que eu te amo
Vai além do cotidiano
Vai no simples sorriso...

Vai nos recados da geladeira
Nos momentos entre as nuvens
No beijo de incentivo para começar a segunda-feira...


Meu jeito de dizer que eu te amo
Tem a contribuição da chuva
Tem filme, tem vinho, tem lua e estrela


Tem mil maneiras e mais uma
Meu jeito de dizer que eu te amo
Vai do até o boa noite ao dizer bom dia...


Meu jeito de dizer que eu te amo
É assim...
No início, no meio, e no fim...

MAURO ROCHA 12/06/2010

sexta-feira, 11 de junho de 2010

FRATERNIDADE

O cosmo
Dois corpos
Olhares em fusão...

Os traços
Os abraços
O tocar de mãos...

As ruas imundas, os olhares fixos
Os trocados bem-vindos para juntar migalhas
Milhões e a esperança no ar...

Diante do espelho o corpo
Diante do desejo o rosto
Os traços, os braços, os irmãos...


MAURO ROCHA 11/06/2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

IGUALDADE

A lua deseja o sol
A praia molhada pensa no mar
E com sorte vejo uma estela cadente...

Não desejo a lua, mas a vejo em seus olhos
Com sorte vejo tua silhueta nua
Nos passos que dou na rua, nas mais loucas horas...

Sempre que te vejo pulo no abismo
De tantos desejos e sentimentos puros
Mas quando percebo já se quebrou o espelho

E os cortes são feitos raios solares
Dia-amantes imperfeitos de muitos olhares
Até chegar a superfície e respirar outros ares...

O sol deseja a lua
O mar vem e vai salgado
Uma estrela cadente... Com sorte eu vejo...


MAURO ROCHA 10/06/2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

LIBERDADE

O vinho a mesa
A solidão de sobremesa
O tempo parado diante dos olhos...

O que me acompanha?
São as lágrimas
Deixada pela saudade dos dias longos...

MAURO ROCHA 01/06/2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ESTRELAS

A boca que descobre o beijo
Descobre logo o desejo
E nas madrugadas constantes
A face da lua nunca é minguante...

A boca que descobre o beijo
Descobre logo o desejo
Que de tão íntimo
É proibido as meretrizes

E o que falar do beijo
Que mistura a língua
O beijo definitivo
Com os olhos fechados e o infinito...

Que tudo vira estrela
E logo, transforma-se em constelação
O beijo amado ultrapassa a paixão?
O beijo safado percorre o corpo então?

Beijo é beijo
O que muda é a intenção
E depois do beijo?
O mundo gira sem razão...

MAURO ROCHA 20/05/2010

sábado, 29 de maio de 2010

PLURAIS

Prego: pregos!
Como já dizia Raul Seixas
E a gaveta bagunçada
E o dia passando na frente das calçadas

Tua fotografia no porta-retrato segura a parede
Lanço torpedos seguindo a tecnologia
Procuro planícies perdidas no horizonte
Na verdade me procuro entre o sapato e a meia

Conto as estrelas em dias ímpares
Na intenção de ver um disco voador
Na verdade controles remotos não são interessantes
Por isso jogo palavras no ventilador

Não sei quantos dias faltam para acabar o ano
Mas a folha em branco me traz um espanto
Rabisco sem simetria pontos convexo
Na verdade sento a mesa, bebo e converso

Nada tão natural como ser humano
Cheio de requisitos e falha
Cheio de trejeito e pano
Cada um na sua, procurando a metade, do outro lado da rua


Prego: pregos!
Como já dizia Raul Seixas
E a gaveta bagunçada
Meias, roupas, fotografias...


MAURO ROCHA 29/05/2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

LAGARTO DE PÉ

Arara, jabuti, jacaré
Iracema cadê meu sapato de jacaré
lagarto de pé
Que eu vou ao boteco do Zé
Tomar uma para esquecer
Aquela mulher que me fez sofrer.
Iracema vê se não demora
Que eu ainda vou embora,
Atravessar o sertão, chegar em Manaus,
Ver a chuva cair...
Quem sabe eu trago uns pingos pra ti
E esse chão que corta o Ceará.
Desse jeito não dá,
Iracema cadê meu chapéu de palha,
Folha de carnaúba,
O país está na berlinda, a chuva atrapalha,
A seca maltrata,
E tem prédio caindo...
Sem falar no resto,
Outro dia eu protesto.
Onde está meu sapato mulher!
Lagarto e pé,
Que meu caminho é longo,
Mas,antes vou ao boteco do Zé
Para tomar uma e vê se encontro alguém,
Quem sabe um novo bem...
Arara,jabuti,
Iracema um beijo pra ti,
Aprender a escrever com giz
Levar minha cultura assim
Abrir meu coração
E um dia voltar pró meu sertão
Com meu chapéu de palha
Sapato de jacaré
Lagarto de pé
Iracema cadê!
Iracema Mulher!
Assim eu não vou no Zé!

03/10/2007 MAURO ROCHA