sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TRILHOS E PONTEIROS

Estou hoje
Estou amanhã
Refletido no espelho
Desabotoando teu sutiã
- Com tesoura é mais fácil –
O embaraço é para ficar na memória
O tempo é a caixa registradora da história...


MAURO ROCHA 11/09/2010

domingo, 12 de setembro de 2010

TRAVESSURAS OU GOSTOSURAS

Planto sol
Para colher lua
Giro como girassol
No meio da rua

E nesse espetáculo
A vida é semente
O difícil não é ser astro
É viver contente

E nesse espetáculo
O cenário é a cidade
Hoje estou monólogo
Amanhã quem sabe emergente

E nesse espetáculo
Nem tudo cai como uma luva
Mas vou imaginar o imaginário
Girando com os "Girassóis da Rússia”

Planto flores em vasos sem jardim
Colho olhares de colibri
De manhã tem que pôr o sol
De noite a lua é meu lençol...

MAURO ROCHA 12/09/2010

sábado, 11 de setembro de 2010

NOITE/DIA

Tá frio fecha a porta
Deita e fica na coberta
Se tiver mais uma costela
O calor vem rapidinho
Mas se tiver sozinho
O calor fica com preguiça
E o frio anda devagarzinho...

Tá calor abre a porta
Deixa o vento entrar
A vontade é ficar nu
Se está sozinho até que vai
Se tem muita gente já é demais
O frio nem vem
E o calor derrete meu bem...

MAURO ROCHA 11/09/2010

domingo, 5 de setembro de 2010

UMA POR UMA

Desejo
De certo
De queijo
De resto

O tema
O dilema
A cena
O poema

Na tarde
Na carne
A chave
Na laje

O sol
O lençol
Ouvindo rock and roll
Fazendo cachecol

E a janela
A porta
A torta
A costa

Do litoral
No carnaval
Tudo é legal
Notícia no jornal

De chinelo
Vestido amarelo
O dia inteiro
Passageiro

Na avenida
Dobrando a esquina
Perdendo de vista
Carros na pista

E tudo rima menina!
Na folha branca
Ou na pautada
A viagem é a palavra...

MAURO ROCHA 05/09/2010









sábado, 4 de setembro de 2010

AO VENTO

Onde está a loucura?
Onde está você?
Sei que eu não tenho cura
E nem quero ter

Lanço-me na poesia
Mergulho no prazer
No ziguezague do dia-a-dia
Como é bom ver você

Meu lápis louco
Rabisca um rosto
Disforme desenho
A mão desenho

A cidade que trago
Adiciono gelo e limão
Meus olhos... Arregalo
Quando te vejo na contramão

Chuva, sol
Isca no anzol
E as imagens espalhadas
Na sopa de letrinhas...

Lanço-me ao vento
Cabelos ao vento
Vestidos ao vento
Parado no tempo: O vento

Lento
Ando pela calçada
Observo à amada
Que traz a lua cheia
O canto da sereia

Sei que não tem cura
Nem quero ter
Mergulho no prazer
De amar você...

MAURO ROCHA 04/09/2010

sábado, 28 de agosto de 2010

VAMPIRO

O dia corre
A noite escorre... Pelos lábios
O vinho brinda
Teu corpo cansado
Teu braço estica
Teus olhos estampam minutos de solidão
A noite expande em teu quarto
Os laços da vida
São desatados na morte...

Crio cristais para olhos de vidro
Meu coração queima nas noites de inverno
Corvos enfeitam a janela
O vinho brinda

A solidão
O entrelaçar de mãos
Os motivos para um carnaval
O beijo sensual...

A noite corre
O dia escorre... No rosto
O sol bronzeia
A lua cheia...

Deleita-se no mel
Esquece dos dias de fel
Com os olhos fechados
Escuta a pulsação...

O coração
O teu gemer
O meu sei lá o quê
O soprar do vento...

Na brisa seca
Veja
Meus olhos úmidos
Meu mundo...

MAURO ROCHA 28/08/2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NOITE VELOZ

Escrever um poema de amor
Sem ser piegas
Sem rimar com a palavra flor
Imaginando as noites Norueguesas

Meu caro!É difícil
Pois o pensamento esboroa
Meu caro! É difícil
Amar á toa

O amor tem todo um charme
Que vai da complexidade
A simplicidade

Do eu me amo
Ao tu me amas
E assim nos amamos

Como irmãos
Como companheiros
Mesmo na solidão
Numa vida ou contando os ponteiros

Escrever um poema de amor
É saber que as palavras completam os gestos
E mesmo no deserto, flores são regadas de paixão
E mesmo na saudade, bate um coração...


MAURO ROCHA 26/08/2010

domingo, 22 de agosto de 2010

CIBER ERECTUS

O homem moderno
Não gosta do calor
Não gosta do inverno

Vive em seu computador
Entre programas e vírus
É um cibernético erectus

Conhece o mundo inteiro
Num click instantâneo
De Quixadá ao mediterrâneo

O homem moderno
Não gosta de gravata
Nem gosta de terno

Gosta de camiseta e bermuda
Ser o politicamente correto
Usa e come o que é natureba

O homem moderno
Só não é moderno
Quando inventa a guerra

O homem moderno
Coleta dados do passado
Trabalha no presente, vive o futuro

O homem moderno
Não marca encontro
Resolve tudo no chat e pronto

O homem moderno
Não gosta do calor
Não gosta do inverno


MAURO ROCHA 03/08/2010

sábado, 21 de agosto de 2010

ARQUIVO

Se não me falha a memória
Eu contei uma história
Ou só falei das glórias?
Ou foram das tristezas de outroras?

Se não me falha a memória
Tem que morrer para se sentir vivo
Tem que viver para morrer tranqüilo
E não se arrepender de não ter visto mais uma primavera

Hoje minhas lágrimas são cristalinas
O velho não vê no espelho mais o menino
É apenas o tempo que passa pela praça assoviando
É apenas mais um ano dentre tantos anos

Se não me falha a memória
A frase estava no livro
Ou era refrão de uma canção?
Ou era apenas a batida de um coração?

Não me falha a memória
O amor que tenho
Os lírios do campo
A semente plantada

Não me falha a memória
Nosso quadro na parede
Os domingos no parque
Os sonhos no horizonte

Se não me falha a memória...

MAURO ROCHA 21/08/2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MÁQUINAS TRANSFORMADAS

Como folhas caídas no chão
Esperando alguém para catá-las
As palavras jogadas na imaginação
Acordam-me na madrugada...

Formando um corpo
Idealizando um lugar
Um beijo no rosto
Construindo o mar

As palavras catadas como grão de milho
Nos computadores que lembram as máquinas antigas
Com seus modernos teclados
É o mundo virtual meu filho

Mas a palavra também é moderna
Na língua da fala
No regionalismo que pela cidade atravessa

Atravesso a escrita no mar branco da folha
De risco em risco
O poema rima á toa

Como folhas de outono
A palavra vira estação
Transformam-se em livro
Brinca com a imaginação...

MAURO ROCHA 30/07/2010