sábado, 8 de janeiro de 2011

VIA AGRESTE

Pique-pega,
Piquenique na janela
Com palavras realistas
Com palavras fascistas
Vista, veja, via leste
Minha alma na estrada
Folhas no ar
Morda a maçã
Os pecados eu resolvo no divã...

Hoje é outro dia
Acorde só de manhã
Se suas asas não estão quebradas
Se o céu não é só uma palavra
O tempo brinca de girar no sol
Então cate sementes de girassol
E jogue para pássaros que migram
Para fugir da estação
Vista, veja, via agreste
Minha alma na estrada
Palavras
Morda os lábios
Os pecados eu resolvo no divã...

Mauro Rocha 28/12/2010

sábado, 1 de janeiro de 2011

NUVENS DISPERSAS

O relógio toca a trilha do tempo
O vento nos cabelos da amada
O horizonte perdido no olhar fechado
O beijo na praça da igreja

E tudo é contado diante dos espelhos
O mundo cheio de cacos
A chuva tateia o corpo dela
A lua incendeia amantes na janela

A palavra me traz o verbo
A estação me traz o inverno
Como é ser e não estar?
Como é conviver e não ficar?

Tem dia que a saudade aumenta
Tem dia que o poema está na marcha lenta
O sol esquenta o rosto
A lua ilumina o corpo

O relógio é o termômetro do tempo
A palavra constrói o poema
Minha janela está aberta para o mundo
Como é belo o sorriso dela

Dentro da cidade e seu caos urbano
Na linha moderna da vida moderna
Os caminhos se cruzam num piscar de olhos
A amada deitada no horizonte... Amada...


O relógio dança no compasso: tic, tac
O tempo viaja, mas sempre está presente
Passado, futuro, claro, escuro, a mente
Viaja no beijo da noite... Splash, ploc, plac

Tudo se resume num papel
Os olhos claros de estrelas no céu
Parado, no vento, estou eu
Acelerado o vento, que não é meu...

Mauro Rocha 28/12/2010

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ 2011



Nos últimos meses estive distante do meu blog mas não da poesia, nas queria dizer que ainda tinha um pouco de tempo para ver vocês, para comentar não, mas sei que todos entendem as coisas da vida.Não estou aqui para me queixar, mas para dizer que agradeço a todos que sempre me acompanharam e me acompanha e desejar um ótimo 2011, vou voltar com a mesma alegria, com a mesma loucura e com outras poesias.Desejo atrasado um feliz natal e vamos viver, escrever e ter fé para que esse novo caminho, esse novo ano seja um ano de paz, amor e muita festa, afinal temos é que viver e viver com alegria e que se houver lágrimas que sejam apenas para lavar a alma e que o sorriso venha como um arco-íris e o coração bata mais forte a cada momento de desejo e realização.

Obrigado!

MAURO ROCHA

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PELA CIDADE

(Este Poema participou o concurso "Poesia no ônibus" da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre/RS 2010, mas não foi classificado)



De ônibus ou de trem
A cidade vai
A cidade vem

E pelas ruas
O movimento
Os monumentos

Do Beira Rio
Ao Olímpico
Transbordam sentimentos

De ônibus ou de trem
A poesia de Mario Quintana vem
Pela cidade...
O amor anda pela cidade...

Mauro Rocha 14/09/2010

sábado, 13 de novembro de 2010

SIGNO DE ESCORPIÃO

(Dedicado ao meu aniversário que é 14/11)

Cansado de tudo
Cansado de nada
Ainda não vi de tudo
E da chuva minha janela está molhada

É o peso da idade?
É o gosto da cidade?
Hoje completo quarenta
Quatro décadas...Aguenta!!

Mas já fiz muita coisa
Só (ainda) não lançei o livro
Mas já fiz o filho
E a árvore plantei numa quinta

E das pedras nos caminhos
Dos tombos e espinhos
A vida me deu a Esperança
A vida me deu o meu amor, amigos e a lembrança

Estou cansado de tudo
Que acontece de errado no mundo
Não estou cansado de nada
Quando estou diante da magia da palavra

É o peso da idade?
Mas se ela não pesa do que serviu!
É o gosto da cidade?
A cidade é uma maçã e me diga quem nunca mordeu!

Hoje completo quarenta
E sei que algumas folhas foram com o vento
Quatro décadas...Aguenta!
Que eu quero mais folhas soutas ao vento...

Mas fiz muita coisa
E descobri a paixão
Mas fiz muita poesia
E descobri o amor então

Mergulhei num mar de sentimentos
Sim! Sou romântico!
Cantei desafinado nos banheiros
Sim! Sou roqueiro!

Mas hoje faço quarenta
E me olho no espelho
Com o mesmo olhar de criança
Doido para ser mais velho...

MAURO ROCHA 14/11/2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MARGENS E RIOS


Aqui me despeço
Diante de algumas folhas em branco
Sem desenhos nem castelos
Apenas algumas letras e rabiscos

Nesse mundo vi no espelho a loucura
Entre labirintos procurei a estrada
E sempre me vesti de acordo com a estação
E sempre que posso estendo a mão

Mas hoje aqui me despeço
Do vento que brinca com a praça
Da moça que anda com pressa


E aqui me despeço
Da música que não ouvi
Da noite que não vivi

Mas digo uma coisa
Antes de tudo
Antes de ficar mudo

Que algumas flores eu plantei
Que algumas cores eu pintei
Mas nem todas as flores vingaram
Algumas tintas eram guache

E aqui me despeço
Para o minuto seguinte
Para um sorriso minguante
E assim acabo...

Flutuando...

MAURO ROCHA 04/10/2010







terça-feira, 19 de outubro de 2010

PRÊMIOS LITERÁRIOS


A Editora Letteris (http://www.litteris.com.br/index.htm) organizou o seguinte Prêmio Literário " Prêmio Noel Rosa de Poesia" onde tive o prazer em participar e ficar em

3º LUGAR – (Carlos Mauroda Rocha) Poeta Mauro Rocha com o poema – QUANTA SAUDADE – que prometo publicar nesse espaço depois que concluirem o concurso e entregarem os prêmios.Esse prêmio eu dedico a todos que acreditam no meu trabalho literário e a todos que acompanham, visitam, comentam, enfim a todos vocês que gostam de poesia.

Um grande abraço a todos e obrigado por estarem aqui.

MAURO ROCHA 19/10/2010

domingo, 10 de outubro de 2010

FOLHAS SECAS

Sobrevivo e vivo no dia
Nas paisagens que o ônibus traz
No trabalho que às vezes desejo ser fugaz
Sobrevivo e vivo no dia

Sobrevivo
E vivo na poesia
Que alimenta o vazio
Da alma telúrica

E tudo se resume ao nada
A noite se estende na madrugada
Sobrevivo e vivo
Na cidade variada e cheia de desejo

Folhas secas
Faz barulho o amor
Bebo a palavra, lágrimas e poemas
A cidade variada em cor

Sobrevivo e vivo
Na matemática das finanças
Vou dançando e variando as músicas
Tem dia que é rock, tem dia que é tango

Sobrevivo e vivo no dia
Nas paisagens de teus olhos
Escutando as vozes dos ventos
Acordo com os pingos da chuva

Sobrevivo e vivo
Construindo o destino
Abrindo portas, fechando janelas
Chorando nas noites, sorrindo com as estrelas

Uma pessoa comum
Diante do espelho do mundo nu
Sobrevive e vive no começo da manhã
No beijo um gosto de hortelã, no dia um gosto de maçã

Sobrevivo e vivo nas linhas do poema
Leio os mestres, grito os sentimentos
Navego no desejo do corpo da amada
Na cidade a palavra ocre e o céu cheio de signos

Folhas secas
E os sentimentos da estação
Bebo a palavra, lágrimas e poemas
Na cidade que muitas vezes não tem coração...


MAURO ROCHA 08/10/2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

FOLHETIM

Poesia
Quem és tu?
Que não és minha

Poesia
Vejo-me na rua
Vejo-te na lua

Poesia
Devora as folhas brancas
Sobe nas tamancas

Poesia
Teu corpo poema é música
Teu poema corpo é dança

Poesia, poesia, poesia
Quem sou eu?
Sem você no dia-a-dia...

MAURO ROCHA 08/10/2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

UM EM DOIS EM UM

Do fogo as cinzas
As cinzas no ar
No ar parecem nuvens
Nuvens que cedo ou tarde vão molhar...

Da chuva o verde
O verde reflete nos olhos
Os olhos no horizonte
O horizonte... Olhar o horizonte é navegar...

Nos remos segue a vida
A vida planeja e o destino brinca
Brinco de pérolas e estrelas
Lua e estrela e a cidade de pernas pró ar...

Ar e água mergulho no mar
Diante do espelho teu corpo
Corpo, pulsação
Tudo acelerado... Haja coração...

Coração.. Um em dois
Feijão com arroz
Alimento
Fogo...

Gozo... Que inicia tudo
Tudo fica por um instante mudo
Olhos no horizonte
Que encontra olhos no horizonte...

E a cidade de pernas pró ar
Nos remos da vida
Brinca o destino
Brinco de pérolas e teu corpo no espelho...

MAURO ROCHA 05/10/2010