quinta-feira, 14 de abril de 2011

O MUNDO DOS MUNDOS

Quero gritar
Pego a caneta
Risco as linhas do mar
Sangro primeiro

Não sei se hoje é domingo
Ou segunda-feira
Só sei que vivo
Respiro em cada passo da dança

Quero gritar...

Mauro Rocha 14/04/11



sábado, 12 de março de 2011

UMA FLOR (Dedicado ao Dia Internacional da Mulher)

Eu poderia fazer um poema
Um poema falando da mulher
Sobre sua beleza
Sobre delicadeza
Suas alegrias
Suas tristezas
Sobre a mulher na janela
Sobre a mulher entre as panelas
A mulher e seu trabalho
Sua garra
Sua determinação
A mulher e sua paixão
Sobre vários assuntos
Intermináveis assuntos
Dedicados à mulher
E você diria “Tudo clichê”
Por isso vou fazer um poema
Um poema da metamorfose
Da metamorfose de uma flor
Que nasce
Cresce
E desabrocha
Mulher...

MAURO ROCHA 08/03/2011

domingo, 6 de março de 2011

NO RITMO

O samba dita o ritmo
Os pés não se cansam
O corpo dança
Num balé coletivo
É a festa do povo
É a alma e o corpo
É carnaval...

Mauro Rocha 06/03/11

sábado, 12 de fevereiro de 2011

CARVÃO

Compilado no meu ser carne e osso
Às vezes pedra, às vezes gelo
Sem segredos
Rústico, cru, nu
No espelho
Procurando desejos, amargurando medos
Vivendo intrinsecamente cada momento posto
Cada sorriso no rosto, rugas do tempo
Olhar no horizonte, momento inerte
Sentado a frente da Catedral,
Olhando o céu, mapa astral
Vidas
Passadas
Presentes
Futuras
De frente ao espelho Lágrimas, poemas
Amor verdadeiro
Sem tabuleiros, sem xadrez
Sem piña colada, sem embriaguez
Apenas a vida
Real
Chegada ou despedida
Compilado no meu ser
Misturado a estação
Sou do ano do macaco
Não do ano do cão
E o que é o passado?
Se não um espelho quebrado
Que se junta para entender o presente
E quem sabe garantir o futuro
Compilado em meu ser carne e osso
Cinzas de agosto...

MAURO ROCHA 31/01/2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

TORRES ENTRE CASTELOS

Alguém me falou de Nina Simone
O vento gritou seu nome
Nas montanhas, nos rios
Nos templos tocam os sinos

Pulei no abismo urbano
Entre o céu e o inferno
Existem humanos
Existem outros planos...

Anjos e demônios
Dançam a luz do luar
Palavras, gestos, andar
Beijos esquentam corpos

Copos, roupas, o chão
Olhos que brilham na escuridão
Espelhos de carne
O desejo que arde

No abismo profundo
Meus olhos no mundo
Minha tristeza
O sol e a lua

Meus demônios andam na rua
Meus anjos observam tudo
Chuva clara, calafrio
Ando no fio... Da vida...

Moderna
A palavra que edifico
Eterna
A música, o vazio...

O vento gritou teu nome
Na onda que arrebenta
Escuto no choro Nina Simone
Da solidão que desatina

Quando tocam os sinos
Quando a lua vai partindo
E o sol acorda os urbanos
Sou apenas um corpo estendido...

MAURO ROCHA 25/01/2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RIOS VERMELHOS

Cortei os pulsos numa noite gelada
O sangue quente escorria pela escada
Eu não entendia a vida
E minha morte parecia fantasia

Sei que vão me chamar de covarde e louco
Mas ninguém sabe o quanto andei nos esgotos
Sei que isso não é desculpa
Mas nunca me disseram qual era minha culpa

Amei platonicamente
E quando fui ser racional
Disseram que eu era um demente
Que amor não é razão e sim emocional

O sangue pingando aos pouco coagulava
A vida às vezes não é observada
Cortei os pulsos do amor doentio,
Egoísta que me deixava no quarto escuro

Cortei a noite costurei o dia
Acordei zonzo e sem direção
O amor transformou minhas cinzas
Acordei escutando o bater de um coração

Escrevo nos cantos, faço poesia
Cravada no corpo da canção
Minha morte não foi nada
Nem de longe foi observada

Chorei como se chora
Queimei como se queima
Sigo na estrada e conto a história
De como sobrevivi ao amor que mata

Cortei os pulsos
Morri de verdade
Agora sigo no mundo
Para pagar os meus pecados...

MAURO ROCHA 31/01/2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

VENTOS SECOS

O vento não sopra mais nas árvores
Está tudo tão mudado
As estações se misturam para todos os lados
Olho para o céu e procuro naves...

A cidade corre nas veias
Tantas tribos, tantas aldeias
Circulo o mundo num clic
Rabisco poemas numa bic...

Mas o que procuram minhas mãos?
Formas geográficas no escuro...
O silêncio no doce murmúrio
Que faz palpitar o coração...

A cidade corre nas veias
Navego num mundo caótico
De binóculos avisto sereias
Enquanto degusto Martini seco...

Nas calçadas do centro
Saias desfilam ao vento
Olhos cruzam olhos
Em breves sorrisos...

A noite se enche de estrelas
Ninguém quer vagar sozinho
Entre taças escolha o melhor vinho
Não esqueça os sonhos, abra suas asas...

A felicidade dança com o amor
Na melodia triste da vida
Anjos cuidam da dor
Enquanto a saudade distrai o dia...

O vento não sopra mais nas árvores
Está tudo tão mudado
A cidade se perde nas suas cores, amores, bares
Junto à suculenta mordida do doce pecado...

Mas o que procuram meus olhos?
Formas geométricas de teu mundo
Na clarividência dos amores mudos
Enquanto degusto Martini seco...


MAURO ROCHA 21/01/2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

CHUVA DE LÁGRIMAS

O que acontece no RIO?
Tanto choro, tanta desilusão
E em são Paulo não é diferente
Tanta morte, algo sem noção

É o grito da terra
Que roda o mundo
Nesse alerta
Não dá para ficar mudo.

São tristes as histórias
As percas, as demoras
E a Terra continua o aviso
Mundo afora

E toda semana é uma notícia diferente
Terremoto, furação, enchente
Chuva de granizo, geada, e muita morte
É muita história triste

Que a rima é uma só
A poesia fica com dó
E vamos rezando
Para que algo mude

E que nossa Terra amada
Tão castigada
Mas que devolve em dobro
Não morra de desgosto


O que acontece no RIO
É uma tristeza e dá calafrio
E em são Paulo não é diferente
Tanta morte, tanta dor, tanta gente...

Que vamos rezando
Para que algo mude...

16/01/2011 MAURO ROCHA

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NO MEO DA LUA

Meio dia, o sol quente e a peleja
O trabalhador suspira
Hummmm!Uma cerveja...

MAURO ROCHA 10/09/2010

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIA AGRESTE

Pique-pega,
Piquenique na janela
Com palavras realistas
Com palavras fascistas
Vista, veja, via leste
Minha alma na estrada
Folhas no ar
Morda a maçã
Os pecados eu resolvo no divã...

Hoje é outro dia
Acorde só de manhã
Se suas asas não estão quebradas
Se o céu não é só uma palavra
O tempo brinca de girar no sol
Então cate sementes de girassol
E jogue para pássaros que migram
Para fugir da estação
Vista, veja, via agreste
Minha alma na estrada
Palavras
Morda os lábios
Os pecados eu resolvo no divã...

Mauro Rocha 28/12/2010