sexta-feira, 23 de setembro de 2011

OCEANO

A poesia morreu
Nas asas da paixão
Quem sou eu
Nos delírios da solidão?

Choro por não ter lágrimas
O tempo não me traz asas
Apenas solidão e escuridão
Lampejos na parede caindo no chão

O mundo comemora as loucuras
Homenageia seus heróis anônimos

Irônico achar os caminhos
Irônico morrer sozinho
Irônico ter opções e não usá-las
Irônico não ser uma doença
Irônico não ser uma aberração
Irônico ser feliz
Irônico ser igual

E
Saber que muitos se escondem em máscaras
E
Saber que tudo não passa de fachada
E
Saber que as coisas evoluem
E
Ser o que sempre fui sabendo que poderia ser mais

Olho para os anjos
A lua está nos braços do sono
A poesia está na rua
Minha face está nua

Os sonhos estrangulados
O sangue no asfalto
Os delírios tremem a mão
O apocalipse beija o tempo

O mundo nunca será o mesmo
Entre arames farpados e afetos
Entre catástrofes e desertos
Eu sei, eu sei o que devo escrever

A poesia sangra
Para se sentir melhor

Haverá o amanhã, o beijo de novela
A esperança na janela, o gosto de hortelã

O poema amassado
Tarde cinza
A poesia morta
Nas palavras frias
Violenta cidade
Exposta no jornal

Pedras na mão
Impérios no chão
A peleja do bem
A peleja do mal


Choro por não ter lágrimas
O tempo não me traz asas
Apenas solidão e escuridão
Lampejos na parede caindo no chão

A poesia morreu
Nas asas da paixão
Quem sou eu
Nos delírios da solidão?


MAURO ROCHA  22/09/2011

2 comentários:

Pat. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Grupo Cero VersoB disse...

Mauro,
poder escrever que a poesia morreu
já está a dizer que a poesia está viva.
"Quando tudo está destruído
a única possibilidade é poética"
este verso de Miguel Oscar Menassa parece que conversa com teu poema,
parabéns por publicares,
um abraço