Os
dias cortados, a noite pequena.
A
insônia me permite contar estrelas
Não
procuro antídotos
Não
há amor na indiferença, apenas a dor que dela se alimenta...
As
noites cortadas, o dia pequeno.
A
clarividência me permite ver os amigos
Não
procuro antídotos
Não
há guerra que não proclame paz...
Pensamentos
cortados, a palavra pequena.
Os
livros da estante me permitem viajar
Não
procuro antídotos
Nem
toda sede necessita de água...
Palavras
cortadas, diálogo pequeno.
A
janela me permite outro olhar
Não
procuro antídotos
Nem
todo fogo é desejo...
O
tempo cortado, ventos periódicos.
O
perdão não salva almas penadas, mas ameniza a dor.
Não
procuro antídotos
Nem
toda liberdade têm asas...
Ventos
cortados, o tempo variado.
Os
porta-retratos também guardam a poeira dos sentimentos
Não
procuro antídotos
Nem
toda pedra está no caminho...
Os
dias cortados, a noite pequena.
A
insônia me permite contar estrelas
Não
procuro antídotos
Mas
o sentido que a vida dá para as coisas sem sentido...
MAURO
ROCHA 14/09/12