quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RIOS VERMELHOS

Cortei os pulsos numa noite gelada
O sangue quente escorria pela escada
Eu não entendia a vida
E minha morte parecia fantasia

Sei que vão me chamar de covarde e louco
Mas ninguém sabe o quanto andei nos esgotos
Sei que isso não é desculpa
Mas nunca me disseram qual era minha culpa

Amei platonicamente
E quando fui ser racional
Disseram que eu era um demente
Que amor não é razão e sim emocional

O sangue pingando aos pouco coagulava
A vida às vezes não é observada
Cortei os pulsos do amor doentio,
Egoísta que me deixava no quarto escuro

Cortei a noite costurei o dia
Acordei zonzo e sem direção
O amor transformou minhas cinzas
Acordei escutando o bater de um coração

Escrevo nos cantos, faço poesia
Cravada no corpo da canção
Minha morte não foi nada
Nem de longe foi observada

Chorei como se chora
Queimei como se queima
Sigo na estrada e conto a história
De como sobrevivi ao amor que mata

Cortei os pulsos
Morri de verdade
Agora sigo no mundo
Para pagar os meus pecados...

MAURO ROCHA 31/01/2011

3 comentários:

Pat. disse...

Quanta dor!
Fiquei até um pouco chocada, apesar de lindo poema, Querido Mauro.

Um dos mais bonitos, apesar de triste, que já li.
Beijos...

Louise Oliveira disse...

Visceral! Gostei muito. Bjs! Lu

VELOSO disse...

Visceral gosto disso... AFINAL ESCREVER É UMA FORMA DE NÃO ENLOUQUECER,para mim foi numa época que caminhei pelos esgostos.
Um abraço poeta!