sábado, 30 de abril de 2011

POEMA ONDAS E RECIFES

Seu Alceu Valença

Valença despenca no Rio

Desemboca em São Paulo

Para fazer um show em Curitiba



Passando por Brasília

Dar um tchau ao JK

Com seu maracatu

Cortando o Brasil de norte a sul



Seu Alceu Valença

De Recife para o mundo

Encantando La belle de jour

Com seus repentes de viola



Cocos, maracatus, Jackson do Pandeiro

Luiz Gonzaga, Marinês, Little Richards, Ray Charles

Misturado com suingue num autêntico ritmo

Numa dança entre forros e frevos nas ondas dos recifes



Seu Alceu!

Eu grito no meio da multidão de Boa Viagem

Seu Alceu!

A multidão grita nessa doce louca viagem



Frevo-canção, xote, xaxado, rojão

Ciranda, forró, embolada, baião

Alceu Valença canta

Alceu Valença balança



Do samba ao blues

Com o tempero da viola

De Jackson do Pandeiro a Ray Charles

Do interior a cidade internacionalmente brazuca



Alceu Valença

Canta com a gente

A gente canta

Com Alceu Valença...




MAURO ROCHA 22/04/11



domingo, 24 de abril de 2011

APOCALÍPTICO

O mundo precisa de carinho

As pessoas precisam de amor

Segue, sigo, sigamos o caminho

A surpresa é de quem chegou...



Sou um romântico apocalíptico

Procuro palavras filosóficas profundas

Colho flores num imaginário deserto

Procuro palavras em paredes pichadas...



A vontade não é um botão que liga e desliga

O desejo está intrínseco no corpo e na alma

Meu desejo pula em teu abismo

Minha vontade é o gosto do teu beijo...



O mundo precisa de amor

As pessoas precisam de carinho

Nas profundezas dos rios encontro teus olhos no mar

Nos meus poemas vazios procuro um jeito de amar...



Sou um romântico apocalíptico

Procuro filosofar em palavras rasas

Colho turmalinas e topázios num sonho marinho

Procuro sorrisos em loucas tempestades, sozinho, nas madrugadas...



MAURO ROCHA 24/04/11

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PASSAGEM

“Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra de Adonai: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua .”
( Êxodo: 12, 14)

Paasfees

Ostern

عيد الفصح (ʿĪdcrisdutividade u l-Fiṣḥ)

Bazko

Великден ('Velikden)

Pasqua

Pascua

Pasko

Pääsiäinen

Pâques

Pasche

(Aghdgoma)

Πάσχα (Páscha)

Húsvét

Easter

Cáisg

Paska

Pasqua

イースター (Īsutā)

Pascha ou Festa Paschalia

Lieldienas

Pasen

Påske

Wielkanoc

Paşti

Пасха (Paskha)

Påsk

Paskalya

Великдень (Velykden')

Páscoa

Da morte para a vida

A nossa passagem de reflexão

De compaixão

De amor...



MAURO ROCHA 24/04/2011

sábado, 16 de abril de 2011

INDO DAQUI VINDO DE LÁ

Vendo daqui: Minas

História e geração

Um rei que nasceu em Três Corações

Um poeta de Itabira



Quem não se lembra do Clube da Esquina?

Enquanto visita as obras de Aleijadinho

Quem nunca escutou Skank sozinho

Ou se emociona com Milton e sua “Canção da America?”



Vendo daqui: Gerais

Gostosos pães de queijo

Comida tradicional

E ninguém perde o trem, uai!



E o que diria Tiradentes

Ao ver o carnaval dessa gente?

Ao som desse Triângulo Mineiro

Pulando em Ouro Preto



Num sorriso que corta a cidade de Belo Horizonte

Encima do Pico da Bandeira

A cultura brota

Do barroco ao rococó, de Guimarães Rosa a Drummond de Andrade



Indo daqui

Vindo de lá

Viva sempre viva

Minas Gerais...



MAURO ROCHA 16/04/2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O MUNDO DOS MUNDOS

Quero gritar
Pego a caneta
Risco as linhas do mar
Sangro primeiro

Não sei se hoje é domingo
Ou segunda-feira
Só sei que vivo
Respiro em cada passo da dança

Quero gritar...

Mauro Rocha 14/04/11



sábado, 12 de março de 2011

UMA FLOR (Dedicado ao Dia Internacional da Mulher)

Eu poderia fazer um poema
Um poema falando da mulher
Sobre sua beleza
Sobre delicadeza
Suas alegrias
Suas tristezas
Sobre a mulher na janela
Sobre a mulher entre as panelas
A mulher e seu trabalho
Sua garra
Sua determinação
A mulher e sua paixão
Sobre vários assuntos
Intermináveis assuntos
Dedicados à mulher
E você diria “Tudo clichê”
Por isso vou fazer um poema
Um poema da metamorfose
Da metamorfose de uma flor
Que nasce
Cresce
E desabrocha
Mulher...

MAURO ROCHA 08/03/2011

domingo, 6 de março de 2011

NO RITMO

O samba dita o ritmo
Os pés não se cansam
O corpo dança
Num balé coletivo
É a festa do povo
É a alma e o corpo
É carnaval...

Mauro Rocha 06/03/11

sábado, 12 de fevereiro de 2011

CARVÃO

Compilado no meu ser carne e osso
Às vezes pedra, às vezes gelo
Sem segredos
Rústico, cru, nu
No espelho
Procurando desejos, amargurando medos
Vivendo intrinsecamente cada momento posto
Cada sorriso no rosto, rugas do tempo
Olhar no horizonte, momento inerte
Sentado a frente da Catedral,
Olhando o céu, mapa astral
Vidas
Passadas
Presentes
Futuras
De frente ao espelho Lágrimas, poemas
Amor verdadeiro
Sem tabuleiros, sem xadrez
Sem piña colada, sem embriaguez
Apenas a vida
Real
Chegada ou despedida
Compilado no meu ser
Misturado a estação
Sou do ano do macaco
Não do ano do cão
E o que é o passado?
Se não um espelho quebrado
Que se junta para entender o presente
E quem sabe garantir o futuro
Compilado em meu ser carne e osso
Cinzas de agosto...

MAURO ROCHA 31/01/2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

TORRES ENTRE CASTELOS

Alguém me falou de Nina Simone
O vento gritou seu nome
Nas montanhas, nos rios
Nos templos tocam os sinos

Pulei no abismo urbano
Entre o céu e o inferno
Existem humanos
Existem outros planos...

Anjos e demônios
Dançam a luz do luar
Palavras, gestos, andar
Beijos esquentam corpos

Copos, roupas, o chão
Olhos que brilham na escuridão
Espelhos de carne
O desejo que arde

No abismo profundo
Meus olhos no mundo
Minha tristeza
O sol e a lua

Meus demônios andam na rua
Meus anjos observam tudo
Chuva clara, calafrio
Ando no fio... Da vida...

Moderna
A palavra que edifico
Eterna
A música, o vazio...

O vento gritou teu nome
Na onda que arrebenta
Escuto no choro Nina Simone
Da solidão que desatina

Quando tocam os sinos
Quando a lua vai partindo
E o sol acorda os urbanos
Sou apenas um corpo estendido...

MAURO ROCHA 25/01/2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RIOS VERMELHOS

Cortei os pulsos numa noite gelada
O sangue quente escorria pela escada
Eu não entendia a vida
E minha morte parecia fantasia

Sei que vão me chamar de covarde e louco
Mas ninguém sabe o quanto andei nos esgotos
Sei que isso não é desculpa
Mas nunca me disseram qual era minha culpa

Amei platonicamente
E quando fui ser racional
Disseram que eu era um demente
Que amor não é razão e sim emocional

O sangue pingando aos pouco coagulava
A vida às vezes não é observada
Cortei os pulsos do amor doentio,
Egoísta que me deixava no quarto escuro

Cortei a noite costurei o dia
Acordei zonzo e sem direção
O amor transformou minhas cinzas
Acordei escutando o bater de um coração

Escrevo nos cantos, faço poesia
Cravada no corpo da canção
Minha morte não foi nada
Nem de longe foi observada

Chorei como se chora
Queimei como se queima
Sigo na estrada e conto a história
De como sobrevivi ao amor que mata

Cortei os pulsos
Morri de verdade
Agora sigo no mundo
Para pagar os meus pecados...

MAURO ROCHA 31/01/2011