sexta-feira, 26 de agosto de 2011

PORCELANA

Em meus sonhos
O mundo é perfeito
As estações têm
Seus próprios desejos

Eu só não queria dizer
Adeus
Adeus
Adeus...


Em meus sonhos
Colho morangos silvestres
Em dias de sol
A alma tem seus próprios desejos

Eu só não queria dizer
Adeus
Adeus
Adeus...

MAURO ROCHA 26/08/2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

TRECHOS

Cheguei ao seu mundo ontem
Apresentei meu codinome
Ganhei um sorriso
Num olhar distante...

Não sai de um livro de ficção
Pode pegar na minha mão
Aqui as estradas são longas
E os jardins secretos...

Vim com os anjos
Mas não para fazer mágica
Quero primeiro entender
Teu reflexo no espelho...

Não podemos fazer tudo o que queremos
Mas podemos sonhar com as estrelas
Pintar quadros negros que sempre são verdes
Envolver segredos, medos, desejos...

Cheguei ao seu mundo ontem
Numa paixão que brota o amor
Alimenta o corpo, satisfaz a alma
Vira tempestade, vira saudade...

Numa cidade qualquer
Meus pés formigam
Pessoas estranhas transitam
Perdidas no teu olhar...

Quando olho para o tempo
As pedras mudaram, as festas mudaram
A semana acabou
O vento sopra de norte a sul de leste a oeste

Pegue na mão dos anjos
Siga o caminho da lua
Num lindo sorriso tímido
Viva...

Num olhar distante
Apresentei meu codinome
Ganhei um sorriso
Quando cheguei ao seu mundo...


MAURO ROCHA 19/08/2011



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MALABARISMO

Atravessar o dia
No olhar desesperador da agonia
Na respiração ofegante do cansaço

Ler jornais apocalípticos
Ver guerras feitas por países ricos
A vida artificial do mundo real

Só quero envelhecer
Depois morrer
Com a sensação de ter vivido

Noites a mil
Em diversos exemplares
Um drink, um luar, um café da manhã

Atravessar o dia
Nos espinhos de uma rosa
No fluxo sanguíneo lento de um ataque cardíaco

Ficar vidrado na internet de madrugada
Ter insônias, acordar excitado
A vida real do mundo artificial

Chorar longas tardes
Amar por minutos
Um drink, um cigarro, um almoço para variar

Tentar outra vez
Errar no xadrez
Simplificar tudo num sorriso

Estender a mão
Escrever com paixão
Ler quadrinhos, hentais, nada demais

Atravessar o dia
No suicídio das palavras
Nas lágrimas depois do beijo

Você ser apenas você
Amar acreditando amar
No mundo há vida artificial ou real

Criar desejos
Postar medos
Um drink, um sol de rachar, algumas velas e um jantar

Atravessar o dia...

MAURO ROCHA 17/08/2011




































quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SONHOS DENTRO DO SONHO

A estrada parece perdida
A chuva parece invisível
Sigo as estrelas
Sigo o caminho para casa

Todas às vezes que fecho os olhos
Sinto o vento
Escuto teus cabelos ao vento
Sigo o caminho para casa

Teu corpo salgado lembra-me o mar
Vejo as pedras desvio dos espinhos
Sinto dor em meus pés
Sigo o caminho para casa

Ao meu lado um anjo peralta
O cheiro de chuva trás saudades tua
Sigo o arco-íris
Estou perto de casa

O coração já sangrou
Os olhos já choraram
O corpo ficou
Sobe a alma...

MAURO ROCHA 09/08/2011





terça-feira, 9 de agosto de 2011

POEMA JOGADO PELA JANELA

Lisérgico
Vejo a cidade de outro ângulo
Escorre pelos olhos os planos...

Acordo tarde
Durmo tarde
Escorre pelos olhos os sábados...

Na bandeja o café
De sobremesa não sei o que é
Escorre pelos olhos os domingos...

É que estou usando colírio...

MAURO ROCHA 09/08/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CASTELOS E AREIAS

Uma princesa em seu castelo
Admira o mar
Com seus cabelos dourados
Seus olhos a sonhar

E para seu espelho ela pergunta:
_Cadê meu príncipe encantado?
E o espelho responde a ela:
_Não se assuste se o príncipe for sapo!

Assim são os contos de fada
Antigos ou modernos
Mas as mulheres não esperam nada
Que não seja eterno

Um lindo castelo
Uma linda história
Esperando no altar
A princesa que demora

E como todo o encanto
Espera-se um final feliz
Só há espanto
Quando a bruxa mete seu nariz

Antigos ou modernos
Sempre haverá contos de fadas
Príncipes e sapos
Princesas e bruxas

E um espelho...

Moral da história:
Nunca deixe de sonhar...

MAURO ROCHA 25/07/2011



sexta-feira, 15 de julho de 2011

VERMELHO MERCÚRIO

Quero voltar para as estrelas...

Os cantos, os cânticos, a cidade

Nas ruas o gelo, a saudade

Vejo fotos

Lembranças nuas

Nos carros, nos ônibus, nas motos

A velocidade do tempo

Invento algo na frente do espelho

Vejo os cabelos

Brancos

Céu claro

Olhos profundos

Noites em Marte

Dias em Saturno

Quero voltar para as estrelas

Sentar-me a mesa

Admirar tua roupa

Beijar tua boca

Era o que dizia o primeiro ato

Daquela vida de farrapos

Lavam-se os pratos

No fim da noite

A esperança se renova

Inicio de estação

Livros na prateleira

Outros olhares

Outros mundos

Uma estrela no chão

A cozinha está vazia

A vida está vazia

Mais um conhaque

Mais um desastre

Tudo estava ali no terceiro ato

Cena de cinema


Na piscina

O mar que encontro em teus olhos

O beijo que criou o espanto

Céu claro

Num mês qualquer

No almoço ou no jantar

A luz da vela clareia o ambiente

Um corpo ausente

Na estrada

No coração

Na sala de estar

Quadros de Vermeer

Diante da solidão

Os olhos fechados, um livro na mão

O corpo suado

No quinto ato apenas uma estátua

Quero voltar para as estrelas

Amarrar minha rede

E palavras pescar

Nesse teatro de amores

E restos humanos

Entra noite sai dia

Entra mês sai ano

E nosso planos?

Pendurados na geladeira

Estendo minhas roupas

No último ato

Céu claro...



MAURO ROCHA 15/07/2011





sábado, 2 de julho de 2011

13:50

Na sala tons claros
Misturados com tons escuros
Dois ambientes
Um mundo...

Móveis rústicos
Num contraste hi-tech
Criança brinca
Adulto assiste TV

A casa é simples
A vida é simples
Cozinha
Corredor, quartos

Um mundo
Outros ambientes
Com ou sem vista para o mar
Doce, doce lar

Uma porta
Seus mistérios
Seus labirintos
Um jardim secreto...

Duas janelas
Suas festas
Suas frestas
As raízes...

Guerra e paz
Amor e ódio
Famílias
Trilhas cotidianas...

Tons claros
Cores da vida...


MAURO ROCHA 31/05/2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PRÊMIO NOEL ROSA

PRÊMIO NOEL ROSA


PRIMEIROS LUGARES

1º Lugar - Marcele Aires

2º Lugar – Carmen Lamego Vidal

3º Lugar Mauro Rocha
 

QUANTA SAUDADE



Abri a janela cheia de cidade


Escutando Noel Rosa


Quanta saudade



Do bondinho, da Lapa


Do Cristo Redentor


Toda vez eu me pergunto: “Com que roupa eu vou”



E a vida que beleza, mas tão cheia de surpresa


E numa “Conversa de botequim”


Percebi como é simples ser feliz



E no domingo depois da praia


Em casa com uma cerveja gelada e um belo futebol


Tudo está completo com a “Menina dos meus olhos” embaixo do lençol



Como “Um pierrô apaixonado”


Vou seguindo a semana


Na ginga do malandro que também é bom de samba



Mas a vida sei que não é fácil


E quem nunca deu um “Palpite Infeliz”?


Pisei no buraco mas ainda sou dono do meu nariz



Agora vou deixar de “Filosofia”


Que estou atrasado e o ônibus não espera,


Mas digo de verdade: escutar Noel Rosa e como uma “Festa no céu”



MAURO ROCHA

terça-feira, 7 de junho de 2011

COMO VOCÊ SE DEFINIRIA?

Sou poeta ou sou atleta?

Ou serei apenas um rosto na janela?



Sou o dia que nasce cedo

No sonho de alguém

Sou a imagem da imagem

Que se desmancha com um beijo...



Sou a lembrança de uma canção

Apenas um caroço de feijão

Que brota até o céu

Na magia de quem sonha com o véu...



Sou eu sendo você

Sou o nada

E sendo o nada

Nada tenho a perder



Sou o mar que seduz a lua

Sou o sol soberano na sua

Sou um sorriso na noite

Ou apenas a metade de um doce...



Como você se definiria?

Um astro na cozinha?

Um coração solitário

Ou a solidão do asfalto?



Sou um rio

Nas lembranças da chuva

Sou a rua na cidade muda...



E porque não!

Sou o amor

Sou a loucura

Sou o furação...



Sou definitivamente

A indefinição da razão

O amor na sua metamorfose

Uma dose de compaixão...





E você?



MAURO ROCHA 01/06/2011