sábado, 26 de setembro de 2009

COMETA

O tempo veio com sua máscara cheia de rugas
E me fez perguntas lúdicas
A uva que ponho para conservar
É o vinho que sirvo na mesa do jantar

O que eu quero é ser feliz
Eu disse isso coçando meu nariz
Mas isso é o que todo mundo quer
Disse-me o tempo com um ar qualquer

E o vento passa mexendo com as árvores
Agitando as nuvens paradas
Olho para o tempo e me perco em seus horizontes
Mas tudo segue e os relógios dão suas badaladas

Mas nem tudo tem consentimento
Nem tudo está de acordo com o momento
O tempo folheia um livro com algumas folhas em branco
Mal sabe ele que algumas páginas foram arrancadas sem pranto

Veja o que faço! Divago sobre árvores e nuvens
E o poema que nem está pronto
E o amor que chega como um estranho
Abre a porta, a janela, o mundo e anda nas nuvens...

Que loucura minha, minha loucura, sua.
Na cidade vazia e tão cheia de pernas
Que o tempo passa despercebido pela rua
E despercebidamente ando por curvas paralelas

E a folha ainda está em branco esperando o poema
Mas o que direi agora que à noite me encanta?
Serei mesmo o poeta? Ou é apenas a dança do vento?
Cheio de rugas estou diante da máscara do tempo...


MAURO ROCHA 24/09/2009













sexta-feira, 4 de setembro de 2009

PECADO

Os olhos e os lábios em movimento na cidade
Quando abro a porta me deparo com a estação
Salto sem asas para o infinito horizonte da noite
Perdidos procuram a lua...Os loucos de paixão

Na cidade iluminada anjos e demônios cruzam a avenida
Quando abro a porta me deparo com as promessas de um bom ano
Diamantes são lágrimas petrificadas no olhar da Medusa
Perdido, mordo a maçã para sentir o gosto de teu beijo

Os espíritos dançam com seus amores eternos
Quando abro a porta me deparo com desejos mundanos
Não procuro respostas exatas, mas, lúdicas palavras
Os momentos desperdiçados são tesouros perdidos nas lembranças

A lua olha para mim no infinito da noite
Quando abro a porta me deparo com a dança do passado com o futuro
O destino embaralha as cartas...O ás do amor não mira na sorte
Olhos e lábios na cidade em movimento...



MAURO ROCHA 03/09/2009

domingo, 30 de agosto de 2009

NO FIM O INÍCIO

Vou falar mais uma vez
Um,dois,três
Pedras na água que fazem barulho
Olha para a noite e me vejo em Saturno

Pois a vida tem que ser divertida
Imaginada e não só cansativa
Por isso mergulho no mar
Encontro sereias para me encantar

Você pode dizer: Que cara louco!
Louco, mas feliz!
Como na música dos Mutantes
Louco é quem me diz

Por isso vou falar uma vez
Um,dois,três
Para entrar na ciranda nem precisa ser criança
É só ter alegria, amor e esperança...


MAURO ROCHA 30/08/2009



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ESTADO DE ESPÍRITO

Olho para o céu e me chamam as estrelas
Desenho quadros nus
Rabiscos pela cidade, tatuagens e besteiras
Desenho no papel frases que soam blues


Os locais, movimentos e palavras no jornal
Os disfarces, os pássaros, o tempo cru
São signos, são símbolos a olho nu
É o momento, o pensamento, o toque na mudança do canal

São os meus olhos no paraíso
São as estrelas ofuscadas com teu brilho
É um sorriso, é um alivio na luz do horizonte
São os caminhos cruzados e o desejo que se esconde

Olho para o céu e me chamam as estrelas
Desenho a poesia de teu corpo
Rabisco o tempo, tatuo tuas lágrimas
No momento o amor emblemático no toque do pensamento...

MAURO ROCHA 27/08/2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ESPERANTO

Repare no verbo ao andar no jardim
A flor que adjetivei não está aqui
Hoje não me vejo fora da cidade
A selva não é só de pedra, é de uma loucura eloqüente...

Repare na elipse de outono
Ou será no eclipse dos homens?
Hoje não me vejo no espelho
Olhe para o céu quem sabe não estou nas nuvens...

Repare na virgulas e faça seu ponto final
Comece a frase com um sorriso, olhares e tal
Hoje mergulhei na gramática para tentar definir o dia
Mas não deixava de olhar teu olhar no horizonte, perdida poesia...

Repare no verbo ao andar
Dance com o substantivo ao luar
Hoje quero apenas justaposição
Mas não deixo de olhar teu olhar no horizonte, poesia e paixão...


MAURO ROCHA 19/08/2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

ESFEROGRÁFICAS

O poeta anda por ruas de paralelepípedos
Cata conchas coloridas
Conta estrelas infinitas
Fotografa olhares atentos

Absorve palavras no vento
Mergulha nas ondas do rádio
Escuta os pássaros acordarem o dia
Conversa com Morpheu na noite clara de lua cheia

O poeta anda por linhas diversas
Atravessa a ponte para o encontro
Com seu mundo lúdico
Seus delírios diluídos nas esferográficas

O poeta é aglutinado pelos seus poemas
O poeta é esquecido nas prateleiras
O poeta anda por ruas de paralelepípedos
O poeta anda despercebido, com seu olhar atento e seu sorriso tímido...


MAURO ROCHA 07/08/2009

sábado, 8 de agosto de 2009

O DIA DO DIA DOS PAIS

O que posso dizer quando não tenho o que dizer/
Mãe é mãe e não se descute/
E pai é o que?/
O pai é o complemento/
Quando há complemento/
O pai é o amigo /
Todos os dias que não é o dia do amigo/
O pai é o espelho/
Onde nos vemos por inteiro/
O pai é tudo aquilo que não consigo dizer/
Quando o que quero é apenas: Eu Te Amo, Pai!/


MAURO ROCHA 09/08/2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

AGOSTO O GOSTO

Pão...
Que alimenta
Que fermenta
Que divide

Opinião...
Que alimenta
Que fermente
Que divide

O galo canta sem se preocupar com o amanhã
Viste o olhar vazio?
Aquele dividido entre a esperança e o medo?
O medo de tudo, do mundo, de novo...
A esperança de novo, de tudo, do mundo...

E a canção surge na madrugada
E a massa canta:
A vitória de Cielo
A recuperação de Massa
Sem se preocupar em ser elite
E a elite assiste a massa na televisão
Contos que passam de geração em geração

Pão...
Que acompanha o café
Fé...
Que acompanha a multidão
Que alimenta
Que fermenta
Que divide

Opinião...
E o poema cria asas
E os anjos sussurram as palavras...


MAURO ROCHA 03/08/2009






quarta-feira, 29 de julho de 2009

TRENS QUE CORTAM A CIDADE

A noite quis partir
Olhando para teus olhos
Não estava mais em mim
Era apenas espólio

A noite quis partir
Ouvindo sua voz
Não estava mais em mim
Era apenas um momento atroz

Como num jogo
Os sorrisos e os segredos
Os pecados e os desejos
Era apenas um sonho

A noite quis partir
Como o gosto de tua boca salgada
Não estava mais em mim
Eram apenas delírios da madrugada...

MAURO ROCHA 29/07/2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

AS NUVENS DE ALGODÃO

Quando quis teus olhos
Desenhei com um giz
Teu corpo, tua boca, teu nariz
Na cidade que nem piscava, só tinha olhos...

Para teu jeito...
E os defeitos foram colocados debaixo do tapete
Com o tempo são retirados e alguns dão-se um jeito
E o giz desenhava teu seio

No momento que leio
No outdoor da avenida
Que tudo e nada fazem parte da vida
E que horas divertidas podem ser chamadas de recreio

E não digo não, acaricio a mão...
Desenho os dedos
E o mundo fica assim mesmo, na contra-mão...
Dos sentimentos e dos desejos

O sinal ainda está vermelho
Amarelo é o ipê que vejo
Verde é a mistura dos meus olhos castanhos
E o giz desenha o coração daquele tamanho...

Quando quis
Desenhei com giz
Mas sempre quero
Dentro ou fora da cidade, te amo e peço bis...


MAURO ROCHA 23/07/2009