quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SONHOS DENTRO DO SONHO

A estrada parece perdida
A chuva parece invisível
Sigo as estrelas
Sigo o caminho para casa

Todas às vezes que fecho os olhos
Sinto o vento
Escuto teus cabelos ao vento
Sigo o caminho para casa

Teu corpo salgado lembra-me o mar
Vejo as pedras desvio dos espinhos
Sinto dor em meus pés
Sigo o caminho para casa

Ao meu lado um anjo peralta
O cheiro de chuva trás saudades tua
Sigo o arco-íris
Estou perto de casa

O coração já sangrou
Os olhos já choraram
O corpo ficou
Sobe a alma...

MAURO ROCHA 09/08/2011





terça-feira, 9 de agosto de 2011

POEMA JOGADO PELA JANELA

Lisérgico
Vejo a cidade de outro ângulo
Escorre pelos olhos os planos...

Acordo tarde
Durmo tarde
Escorre pelos olhos os sábados...

Na bandeja o café
De sobremesa não sei o que é
Escorre pelos olhos os domingos...

É que estou usando colírio...

MAURO ROCHA 09/08/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CASTELOS E AREIAS

Uma princesa em seu castelo
Admira o mar
Com seus cabelos dourados
Seus olhos a sonhar

E para seu espelho ela pergunta:
_Cadê meu príncipe encantado?
E o espelho responde a ela:
_Não se assuste se o príncipe for sapo!

Assim são os contos de fada
Antigos ou modernos
Mas as mulheres não esperam nada
Que não seja eterno

Um lindo castelo
Uma linda história
Esperando no altar
A princesa que demora

E como todo o encanto
Espera-se um final feliz
Só há espanto
Quando a bruxa mete seu nariz

Antigos ou modernos
Sempre haverá contos de fadas
Príncipes e sapos
Princesas e bruxas

E um espelho...

Moral da história:
Nunca deixe de sonhar...

MAURO ROCHA 25/07/2011



sexta-feira, 15 de julho de 2011

VERMELHO MERCÚRIO

Quero voltar para as estrelas...

Os cantos, os cânticos, a cidade

Nas ruas o gelo, a saudade

Vejo fotos

Lembranças nuas

Nos carros, nos ônibus, nas motos

A velocidade do tempo

Invento algo na frente do espelho

Vejo os cabelos

Brancos

Céu claro

Olhos profundos

Noites em Marte

Dias em Saturno

Quero voltar para as estrelas

Sentar-me a mesa

Admirar tua roupa

Beijar tua boca

Era o que dizia o primeiro ato

Daquela vida de farrapos

Lavam-se os pratos

No fim da noite

A esperança se renova

Inicio de estação

Livros na prateleira

Outros olhares

Outros mundos

Uma estrela no chão

A cozinha está vazia

A vida está vazia

Mais um conhaque

Mais um desastre

Tudo estava ali no terceiro ato

Cena de cinema


Na piscina

O mar que encontro em teus olhos

O beijo que criou o espanto

Céu claro

Num mês qualquer

No almoço ou no jantar

A luz da vela clareia o ambiente

Um corpo ausente

Na estrada

No coração

Na sala de estar

Quadros de Vermeer

Diante da solidão

Os olhos fechados, um livro na mão

O corpo suado

No quinto ato apenas uma estátua

Quero voltar para as estrelas

Amarrar minha rede

E palavras pescar

Nesse teatro de amores

E restos humanos

Entra noite sai dia

Entra mês sai ano

E nosso planos?

Pendurados na geladeira

Estendo minhas roupas

No último ato

Céu claro...



MAURO ROCHA 15/07/2011





sábado, 2 de julho de 2011

13:50

Na sala tons claros
Misturados com tons escuros
Dois ambientes
Um mundo...

Móveis rústicos
Num contraste hi-tech
Criança brinca
Adulto assiste TV

A casa é simples
A vida é simples
Cozinha
Corredor, quartos

Um mundo
Outros ambientes
Com ou sem vista para o mar
Doce, doce lar

Uma porta
Seus mistérios
Seus labirintos
Um jardim secreto...

Duas janelas
Suas festas
Suas frestas
As raízes...

Guerra e paz
Amor e ódio
Famílias
Trilhas cotidianas...

Tons claros
Cores da vida...


MAURO ROCHA 31/05/2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PRÊMIO NOEL ROSA

PRÊMIO NOEL ROSA


PRIMEIROS LUGARES

1º Lugar - Marcele Aires

2º Lugar – Carmen Lamego Vidal

3º Lugar Mauro Rocha
 

QUANTA SAUDADE



Abri a janela cheia de cidade


Escutando Noel Rosa


Quanta saudade



Do bondinho, da Lapa


Do Cristo Redentor


Toda vez eu me pergunto: “Com que roupa eu vou”



E a vida que beleza, mas tão cheia de surpresa


E numa “Conversa de botequim”


Percebi como é simples ser feliz



E no domingo depois da praia


Em casa com uma cerveja gelada e um belo futebol


Tudo está completo com a “Menina dos meus olhos” embaixo do lençol



Como “Um pierrô apaixonado”


Vou seguindo a semana


Na ginga do malandro que também é bom de samba



Mas a vida sei que não é fácil


E quem nunca deu um “Palpite Infeliz”?


Pisei no buraco mas ainda sou dono do meu nariz



Agora vou deixar de “Filosofia”


Que estou atrasado e o ônibus não espera,


Mas digo de verdade: escutar Noel Rosa e como uma “Festa no céu”



MAURO ROCHA

terça-feira, 7 de junho de 2011

COMO VOCÊ SE DEFINIRIA?

Sou poeta ou sou atleta?

Ou serei apenas um rosto na janela?



Sou o dia que nasce cedo

No sonho de alguém

Sou a imagem da imagem

Que se desmancha com um beijo...



Sou a lembrança de uma canção

Apenas um caroço de feijão

Que brota até o céu

Na magia de quem sonha com o véu...



Sou eu sendo você

Sou o nada

E sendo o nada

Nada tenho a perder



Sou o mar que seduz a lua

Sou o sol soberano na sua

Sou um sorriso na noite

Ou apenas a metade de um doce...



Como você se definiria?

Um astro na cozinha?

Um coração solitário

Ou a solidão do asfalto?



Sou um rio

Nas lembranças da chuva

Sou a rua na cidade muda...



E porque não!

Sou o amor

Sou a loucura

Sou o furação...



Sou definitivamente

A indefinição da razão

O amor na sua metamorfose

Uma dose de compaixão...





E você?



MAURO ROCHA 01/06/2011



domingo, 29 de maio de 2011

CIDADE EM CHAMAS

A dança está no ar
No vento da cortina
No teu corpo no espelho
Na manhã molhada de orvalho


E teu silêncio é coberto de saudade
E teus passos  sentidos pela cidade
Os anos passam pelas mãos
Reis, valetes, damas e corações


No jogo da vida
Um beijo pode ser despedida
Um beijo pode ser o início
De uma vida


A cidade em chamas
Meu corpo habita
No abismo do desejo... Deseja
As estrelas que te chamam... Em chamas


A dança suave envolve a noite
Num jogo entre amantes
Refletidos em olhos topázios
Os dias são perfeitos


Nos passos da chuva
A loucura dá lugar à solidão
A janela fica úmida
Nas chamas da paixão


A dança está no ar
Na cortina de fogo
Na cidade que vive ao luar
Meu corpo habita... O desejo...


MAURO ROCHA 19/05/2011















quarta-feira, 18 de maio de 2011

NOS OLHOS DO FURAÇÃO

Os olhos cor de violeta

As borboletas em festa

A primavera em sua silhueta

Demonstra a poesia deserta



Canta na madrugado o galo

Nu o dia surge no orvalho

O espelho te encara de verdade

Alguns comem as migalhas da cidade



Outros morrem de saudade

O vento sempre muda de estação

Na nuvem que passa hoje

Amanhã e depois pego na sua mão



Alguns olham para o muro

Eu olho para o mundo

Que a poesia me oferece

Hoje é um dia, amanhã o povo esquece



Olhos cor de violeta

No meio do furação

A paixão avassaladora

Que toma conta do coração



A poesia de amor

A primavera que chegou

De mãos dadas na cidade

Eu sigo nas linhas do horizonte...


MAURO ROCHA 23/02/2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

MERGULHOS DE CORAÇÃO

Quem nunca teve um amor sem pretensão?

Ou vários amores adolescentes, então?

E quem nunca brincou de bem-me-quer

E terminou no mal-me-quer?


E mesmo quem não sabe brincar

Algum dia se pegou a sonhar

Com esse gostoso mistério

Que faz mover a vida


Quem nunca teve um amor de verdade?

Quem disse que amor tem idade?

Quem nunca abriu a janela e de amor não suspirou?

Quem disse quer essa história acabou?


E no tempo da vovó

Que nos conta como era namorar

De mãos dadas na praça

Ou do beijo roubado atrás da igreja


E nessa doce peleja

Caminha a humanidade

Desde Romeu e Julieta

Até no centro da cidade


O amor que aflora

Que canta

Que chora

E na primavera sempre se renova


Na essência de uma nova vida

Na carta ridícula

Na importância dos detalhes

Que nunca sai de moda


E faz pulsar os corações

Das diferentes gerações

E na primavera sempre se renova

E não sai de moda



O amor

Sempre o amor

Que compõe o poema

Que faz chorar no cinema


Que dança com a alegria

Que declama a poesia

E é tão quimicamente essencial

E encontrado até nas páginas de jornal



O amor

Que nem sempre tem razão

Que é feito de coração

Não importa a geração

É amor, simplesmente complexo, amor...



MAURO ROCHA 26/01/2011