terça-feira, 4 de novembro de 2008

MORDIDA

Profundo feito um abismo
Caio em seus olhos melancólicos
Para descobrir as tristezas mundanas
Para me disfarçar com suas faces
E desaguar em teu mar repleto de afluentes...

Crio frases de efeito
Para esconder os defeitos
Navego entre rimas e sorrisos
Para observar estrelas cadentes
Teus olhos revelam o mundo
Teu mar é turbulento...

O deus dos ventos não segue destinos
Muda a rota em jogos de dados
Meu mapa é repleto de desertos
Sou um camaleão revertido de adjetivos...

Profundo é o amor
Que teus lábios semeiam
Em verbos defectivos
Teu mapa é repleto de desvios
Desconfio das placas de contra-mão...

O deus da água brinca de movimentos
Mas não se iluda com sua sedução,
Como o deus dos ventos, ele joga dados
E sua ira traduz-se: destruição.

Profundo feito abismo
Atravesso teus olhos noturnos
Na ânsia de um beijo demorado
Anjos dançam em cima de estrelas mortas
Enquanto gatos miam assustados...

...Nossos gritos de prazer ecoaram pela madrugada
A tempestade abafa nossos gemidos
Teu abismo é cheio de surpresas
Sou apenas um rato sendo observado pela serpente...

Crio defeitos
Para esconder os efeitos de tua sedução
O amor é uma mordida
Quem sente sabe que atinge a alma...

Profundo é o abismo
Que esconde os pecados
Na ânsia da primeira mordida...

MAURO ROCHA 28/06/2007







4 comentários:

o casalqseama* disse...

o abismo dos que amam tem fundo... pode-se resgatar qualquer sensação e momento sempre!




bjs da fê =D

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

O amor é uma mordida...
Está certíssimo, Poeta, e a mordida dói, pois nos arranca um pedaço. E esse pedaço não nos é devolvido quando quem o tomou vai e nos deixa sós. Dói, dói muito o mal do amor.
Um beijo,
Renata

Carla disse...

os deuses são orgulhos dos seus feitos
beijos

Cristiana Fonseca disse...

Belíssima poeisa.
Quanta sensibilidade, bela.
Abraços,
Cris