quarta-feira, 8 de julho de 2009

OBLÍQUO

O tempo e a cidade andam juntos
Hoje eu acordei com um olhar diferente no espelho
Minha vida desintegra-se na luz matutina
Choro na chuva para enganar a tristeza
Há momentos que me sinto a própria presa
E nesse oblíquo poema
Desenho um mosaico dilema
Muitas vezes queria morrer
Mas o amor é a soma de tudo
Que jogamos no liquidificador
Para ser decifrado a cada momento
Para ser separado como semente...

O tempo e a cidade andam juntos
E tudo muda com o tempo
Palavras se juntam sem hífen
Outras sem acento que não tenho idéia
O bom de tudo é que as estações existem
E a cada estação uma nova história é contada
Nas linhas ou nas estradas
Percebemos que a vida e a morte são amantes
Tudo depende de tudo como o nada depende do nada
Ontem foi o Elvis, hoje é o Michael
Já cantava Cazuza: “Meus heróis morreram de overdose”
E meus ídolos morrem de que?
O tempo se encarrega de dizer
A cidade se encarrega de viver
As escrituras registram a história
Hoje eu acordei com um olhar diferente no espelho...

O tempo e a cidade andam juntos...

MAURO ROCHA 08/07/2009

3 comentários:

paula barros disse...

Pois é poeta, existem estações, existem as fases da lua, a vida é ciclica, mesmo quando estamos oblíquo, quadrado, em linha reta, ou até obtuso....tudo passa.

abraços

Ravnos disse...

Realmente, o tempo se encarrega de tudo, inclusive dizer...

Um abraço.

Clarice disse...

Poeta, eu li e senti, e vi meu olhar diferente no espelho e me deu uma angustia de sentir ...mas suas palavras tb me consolaram ... "o bom de tudo é que as estações existem..."
beijos da janela