sábado, 5 de fevereiro de 2011

TORRES ENTRE CASTELOS

Alguém me falou de Nina Simone
O vento gritou seu nome
Nas montanhas, nos rios
Nos templos tocam os sinos

Pulei no abismo urbano
Entre o céu e o inferno
Existem humanos
Existem outros planos...

Anjos e demônios
Dançam a luz do luar
Palavras, gestos, andar
Beijos esquentam corpos

Copos, roupas, o chão
Olhos que brilham na escuridão
Espelhos de carne
O desejo que arde

No abismo profundo
Meus olhos no mundo
Minha tristeza
O sol e a lua

Meus demônios andam na rua
Meus anjos observam tudo
Chuva clara, calafrio
Ando no fio... Da vida...

Moderna
A palavra que edifico
Eterna
A música, o vazio...

O vento gritou teu nome
Na onda que arrebenta
Escuto no choro Nina Simone
Da solidão que desatina

Quando tocam os sinos
Quando a lua vai partindo
E o sol acorda os urbanos
Sou apenas um corpo estendido...

MAURO ROCHA 25/01/2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RIOS VERMELHOS

Cortei os pulsos numa noite gelada
O sangue quente escorria pela escada
Eu não entendia a vida
E minha morte parecia fantasia

Sei que vão me chamar de covarde e louco
Mas ninguém sabe o quanto andei nos esgotos
Sei que isso não é desculpa
Mas nunca me disseram qual era minha culpa

Amei platonicamente
E quando fui ser racional
Disseram que eu era um demente
Que amor não é razão e sim emocional

O sangue pingando aos pouco coagulava
A vida às vezes não é observada
Cortei os pulsos do amor doentio,
Egoísta que me deixava no quarto escuro

Cortei a noite costurei o dia
Acordei zonzo e sem direção
O amor transformou minhas cinzas
Acordei escutando o bater de um coração

Escrevo nos cantos, faço poesia
Cravada no corpo da canção
Minha morte não foi nada
Nem de longe foi observada

Chorei como se chora
Queimei como se queima
Sigo na estrada e conto a história
De como sobrevivi ao amor que mata

Cortei os pulsos
Morri de verdade
Agora sigo no mundo
Para pagar os meus pecados...

MAURO ROCHA 31/01/2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

VENTOS SECOS

O vento não sopra mais nas árvores
Está tudo tão mudado
As estações se misturam para todos os lados
Olho para o céu e procuro naves...

A cidade corre nas veias
Tantas tribos, tantas aldeias
Circulo o mundo num clic
Rabisco poemas numa bic...

Mas o que procuram minhas mãos?
Formas geográficas no escuro...
O silêncio no doce murmúrio
Que faz palpitar o coração...

A cidade corre nas veias
Navego num mundo caótico
De binóculos avisto sereias
Enquanto degusto Martini seco...

Nas calçadas do centro
Saias desfilam ao vento
Olhos cruzam olhos
Em breves sorrisos...

A noite se enche de estrelas
Ninguém quer vagar sozinho
Entre taças escolha o melhor vinho
Não esqueça os sonhos, abra suas asas...

A felicidade dança com o amor
Na melodia triste da vida
Anjos cuidam da dor
Enquanto a saudade distrai o dia...

O vento não sopra mais nas árvores
Está tudo tão mudado
A cidade se perde nas suas cores, amores, bares
Junto à suculenta mordida do doce pecado...

Mas o que procuram meus olhos?
Formas geométricas de teu mundo
Na clarividência dos amores mudos
Enquanto degusto Martini seco...


MAURO ROCHA 21/01/2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

CHUVA DE LÁGRIMAS

O que acontece no RIO?
Tanto choro, tanta desilusão
E em são Paulo não é diferente
Tanta morte, algo sem noção

É o grito da terra
Que roda o mundo
Nesse alerta
Não dá para ficar mudo.

São tristes as histórias
As percas, as demoras
E a Terra continua o aviso
Mundo afora

E toda semana é uma notícia diferente
Terremoto, furação, enchente
Chuva de granizo, geada, e muita morte
É muita história triste

Que a rima é uma só
A poesia fica com dó
E vamos rezando
Para que algo mude

E que nossa Terra amada
Tão castigada
Mas que devolve em dobro
Não morra de desgosto


O que acontece no RIO
É uma tristeza e dá calafrio
E em são Paulo não é diferente
Tanta morte, tanta dor, tanta gente...

Que vamos rezando
Para que algo mude...

16/01/2011 MAURO ROCHA

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NO MEO DA LUA

Meio dia, o sol quente e a peleja
O trabalhador suspira
Hummmm!Uma cerveja...

MAURO ROCHA 10/09/2010

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIA AGRESTE

Pique-pega,
Piquenique na janela
Com palavras realistas
Com palavras fascistas
Vista, veja, via leste
Minha alma na estrada
Folhas no ar
Morda a maçã
Os pecados eu resolvo no divã...

Hoje é outro dia
Acorde só de manhã
Se suas asas não estão quebradas
Se o céu não é só uma palavra
O tempo brinca de girar no sol
Então cate sementes de girassol
E jogue para pássaros que migram
Para fugir da estação
Vista, veja, via agreste
Minha alma na estrada
Palavras
Morda os lábios
Os pecados eu resolvo no divã...

Mauro Rocha 28/12/2010

sábado, 1 de janeiro de 2011

NUVENS DISPERSAS

O relógio toca a trilha do tempo
O vento nos cabelos da amada
O horizonte perdido no olhar fechado
O beijo na praça da igreja

E tudo é contado diante dos espelhos
O mundo cheio de cacos
A chuva tateia o corpo dela
A lua incendeia amantes na janela

A palavra me traz o verbo
A estação me traz o inverno
Como é ser e não estar?
Como é conviver e não ficar?

Tem dia que a saudade aumenta
Tem dia que o poema está na marcha lenta
O sol esquenta o rosto
A lua ilumina o corpo

O relógio é o termômetro do tempo
A palavra constrói o poema
Minha janela está aberta para o mundo
Como é belo o sorriso dela

Dentro da cidade e seu caos urbano
Na linha moderna da vida moderna
Os caminhos se cruzam num piscar de olhos
A amada deitada no horizonte... Amada...


O relógio dança no compasso: tic, tac
O tempo viaja, mas sempre está presente
Passado, futuro, claro, escuro, a mente
Viaja no beijo da noite... Splash, ploc, plac

Tudo se resume num papel
Os olhos claros de estrelas no céu
Parado, no vento, estou eu
Acelerado o vento, que não é meu...

Mauro Rocha 28/12/2010

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ 2011



Nos últimos meses estive distante do meu blog mas não da poesia, nas queria dizer que ainda tinha um pouco de tempo para ver vocês, para comentar não, mas sei que todos entendem as coisas da vida.Não estou aqui para me queixar, mas para dizer que agradeço a todos que sempre me acompanharam e me acompanha e desejar um ótimo 2011, vou voltar com a mesma alegria, com a mesma loucura e com outras poesias.Desejo atrasado um feliz natal e vamos viver, escrever e ter fé para que esse novo caminho, esse novo ano seja um ano de paz, amor e muita festa, afinal temos é que viver e viver com alegria e que se houver lágrimas que sejam apenas para lavar a alma e que o sorriso venha como um arco-íris e o coração bata mais forte a cada momento de desejo e realização.

Obrigado!

MAURO ROCHA

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PELA CIDADE

(Este Poema participou o concurso "Poesia no ônibus" da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre/RS 2010, mas não foi classificado)



De ônibus ou de trem
A cidade vai
A cidade vem

E pelas ruas
O movimento
Os monumentos

Do Beira Rio
Ao Olímpico
Transbordam sentimentos

De ônibus ou de trem
A poesia de Mario Quintana vem
Pela cidade...
O amor anda pela cidade...

Mauro Rocha 14/09/2010

sábado, 13 de novembro de 2010

SIGNO DE ESCORPIÃO

(Dedicado ao meu aniversário que é 14/11)

Cansado de tudo
Cansado de nada
Ainda não vi de tudo
E da chuva minha janela está molhada

É o peso da idade?
É o gosto da cidade?
Hoje completo quarenta
Quatro décadas...Aguenta!!

Mas já fiz muita coisa
Só (ainda) não lançei o livro
Mas já fiz o filho
E a árvore plantei numa quinta

E das pedras nos caminhos
Dos tombos e espinhos
A vida me deu a Esperança
A vida me deu o meu amor, amigos e a lembrança

Estou cansado de tudo
Que acontece de errado no mundo
Não estou cansado de nada
Quando estou diante da magia da palavra

É o peso da idade?
Mas se ela não pesa do que serviu!
É o gosto da cidade?
A cidade é uma maçã e me diga quem nunca mordeu!

Hoje completo quarenta
E sei que algumas folhas foram com o vento
Quatro décadas...Aguenta!
Que eu quero mais folhas soutas ao vento...

Mas fiz muita coisa
E descobri a paixão
Mas fiz muita poesia
E descobri o amor então

Mergulhei num mar de sentimentos
Sim! Sou romântico!
Cantei desafinado nos banheiros
Sim! Sou roqueiro!

Mas hoje faço quarenta
E me olho no espelho
Com o mesmo olhar de criança
Doido para ser mais velho...

MAURO ROCHA 14/11/2010