quinta-feira, 27 de maio de 2010

LAGARTO DE PÉ

Arara, jabuti, jacaré
Iracema cadê meu sapato de jacaré
lagarto de pé
Que eu vou ao boteco do Zé
Tomar uma para esquecer
Aquela mulher que me fez sofrer.
Iracema vê se não demora
Que eu ainda vou embora,
Atravessar o sertão, chegar em Manaus,
Ver a chuva cair...
Quem sabe eu trago uns pingos pra ti
E esse chão que corta o Ceará.
Desse jeito não dá,
Iracema cadê meu chapéu de palha,
Folha de carnaúba,
O país está na berlinda, a chuva atrapalha,
A seca maltrata,
E tem prédio caindo...
Sem falar no resto,
Outro dia eu protesto.
Onde está meu sapato mulher!
Lagarto e pé,
Que meu caminho é longo,
Mas,antes vou ao boteco do Zé
Para tomar uma e vê se encontro alguém,
Quem sabe um novo bem...
Arara,jabuti,
Iracema um beijo pra ti,
Aprender a escrever com giz
Levar minha cultura assim
Abrir meu coração
E um dia voltar pró meu sertão
Com meu chapéu de palha
Sapato de jacaré
Lagarto de pé
Iracema cadê!
Iracema Mulher!
Assim eu não vou no Zé!

03/10/2007 MAURO ROCHA

6 comentários:

Pat. disse...

Poema enraizado de querer, viver...
a espera dela, a que tu já tem!

Ficou muito especial este poema querido Mauro.

Um Beijo.

Deia disse...

Ora, homem, deixa a Iracema! Procura você mesmo o lagarto de pé para ir ao bar do Zé beber! Pobre Iracema, não é nem ela a mulher por quem esse homem quer lavar a alma!
Maravilhoso, Poeta! Um beijo,
Deia

Salomão di Pádua disse...

Oi querido amigo, quanto tempo....
Estou aqui te seguindo...
Abração..

Majoli disse...

Uau, que delícia...coitada da Iracema...parece ser eu aqui em casa com os meus meninos me perguntando mãe cadê, cadê, cadê...rsrs.

Amei Mauro.

Beijos com carinho meu amigo e um lindo final de semana.

Le Vautour disse...

Que coisa mais gostosa, Poeta! me fez lembrar aí um misto de Drummond e Manuel Bandeira. Emocionante. Muito!
Abração de duas asas!

VELOSO disse...

LE VAUTOUR Acrescentaria ai Chico Buarque ! Gostei!