quinta-feira, 6 de maio de 2010

ÓPIO

Andando pela tempestade de meus olhos
Cansado, há dias não durmo
Vou mergulhar em tudo...

Vou escrever o livro entre o pão e o vinho
Vou plantar a árvore no quintal vizinho
Vou fazer o filho no meio do caminho...

Andando pelo deserto de meus olhos
Calado, há dias não durmo
Vou jogar tudo...

À noite maquiada muda à face da lua
A rua desordenada continua nua
Os mesmos olhos perdidos a mesma boca muda...

As épocas são cíclicas
Minhas mãos são ríspidas
Minhas lágrimas são limpas...

E tudo faz parte de um jogo
As cinco é servido chá com biscoito
Prefiro suco espesso extraído do fruto imaturo...

Hoje cheguei perto, bem perto de você
Olhei para teus olhos mas não pude ver
Olhei para a cidade e me perdi na tempestade...

Segui o caminho de paralelepípedos
Segui bêbados e mal-trapinhos
Olhei para a cidade e me perdi em seus desertos...

Cheguei no castelo de areia
Abri a porta e não havia anjos nem sereia
Minha mão estava fria...

Minha casa está no escuro
Estou cansado e há noites não durmo
Meus olhos tempestade, meu corpo deserto...

Ando pela cidade
Ando sem identidade
Ando com saudade...

MAURO ROCHA 30/04/2010

14 comentários:

Chica disse...

Mais uma maravilhosa poesia,Mauro! abraço,tudo de bom,chica

Michelle Satake disse...

Mauro, sem palavras pros teus versos....
Simplesmente irresistíveis.

Obrigada por seguir o É Legal e Poético.
Seu blog tá riquíssimo, e já sigo.

Abraços
Michelle Satake

Pat. disse...

Mauro,

A força de tuas palavras nos contagia sempre.
Belíssimos textos tens por aqui.
Beijo.

Majoli disse...

Que bom te ter aqui postando tua poesia novamente.
Pode demorrar pra vir não, pois tuas poesias são sempre lindas e me encantam.

Costumo dizer que me alimento do que leio, e suas poesias são alimentoa pra minh'alma.
Muitas vezes fioc em êxtase, outras me fazem brotar lágrimas nos olhos, como agora ao ler Ópio.

Seja bem-vindo.

Ah, obrigada por ter ido ao Rabiscos participar da festa de um ano.

Beijos com carinho meu amigo.

Clecilene Carvalho disse...

Que teus olhos possam ver o que lhe cause alegria;
Que a chuva que deles saem possam lavar toda a tristeza;

Espero que o suco do fruto imaturo não lhe cause dependência de tristezas.

Beijos e use o seu dom da escrita como ópio.

Le Vautour disse...

Que coisa maravilhosa, Poeta...
Nem comentários tenho, só babando na gravata.
Abração!

[ rod ] ® disse...

Não se faz poesia nem se conta verdades sem o uso do, imaginativo, ópio... rendendo as saudades necessárias para reger a cobertura do pensar crente da clareza visível. Abs poeta.

*Mi§§ §impatia* disse...

Oi , tudo bem? Vim agradecer sua visita no blog Templo da Sintonia, adoramos viu? Lá escrevo junto com a minha amiga Neguinha.
Gostaria de aproveitar e te convidar a visitar meus dois blogs pessoais e me seguir caso queira ta?
Adorei seu cantinho e ja estou lhe seguindo para vir sempre aqui.
beijos.

http://deliriosdamiss.blogspot.com/

http://cantinhodamissrj.blogspot.com/

Felina Mulher disse...

Lindaaa poesia Mauro.

Obrigada pela homenagem ao dia das mães e meu abraço àquela que te gerou.

Um beijo grande pra ti.

Deia disse...

Oi Mauro! Quero agradecer sua visita e ter se tornado seguidor do blog da minha filha, mas fica aqui meu convite para conhecer o meu blog, rumoaescrita.blogspot.com. Fica o convite para tornar-se meu seguidor! Um feliz final de dia das maes! Um beijo, Deia

Ana Lúcia Porto disse...

Oi Mauro,

Um vício assim é uma benção...
Gostei muito!!

Beijos,

José disse...

Olá poeta Mauro,
Vim agradecer a sua visita, e o bonito poema que deixou no meu cantinho, apareça sempre será um prazer recebe-lo.
O meu tempo não é muito, mas todas as pessoas que comentam no meu blog,
mais tarde ou mais cedo todas têm resposta.
Parabéns pelo bonito poema.

abraço,
José.

Pedrasnuas disse...

UM BELO POETA CAÍDO EM DESGRAÇA?...

GRATA PELO QUE DEIXOU POR LÁ...

SAUDAÇÕES

Dilberto L. Rosa disse...

Muito bom, meu caro, muito bom, mesmo... Uma pena eu ter me identificado tanto... Muito obrigado pelos comentários tão elogiosos nos Morcegos! Abração e volte sempre, poeta!