segunda-feira, 12 de maio de 2008

O VERBO POSSESSIVO

O mundo é catalogado a cada instante
A palavra, o gesto, a comunicação
A poesia, escrita na folha densa, inerte
O amor que morre sem ação...

O mundo é o mundo
E de seus olhos derramam sangue de compaixão
Nos seus ombros carrega-se a dor da triste solidão
e o poeta anda por suas palavras...

Espinhos e flores cofundem-se
O mundo é um deslumbre
Uma luxúria alquimista
Numa constante experiência
Onde pele, carne e ossos se machucam
E o amor morre sem ação...


MAURO ROCHA 31/01/03

6 comentários:

paula barros disse...

Poeta, sua poesia deu uma remexida em minha alma. Esquentou o sangue.
Ela toda bonita.
Ao me conhecer melhor, verás que sempre delas extraio algo. Fico então com essa parte.

"Nos seus ombros carrega-se a dor da triste solidão
e o poeta anda por suas palavras..".

E fazem das palavras a companheira das horas de dor, de amor, de solidão....

abraços e muita inspiração.

Gustavo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Canto da Boca disse...

Não tem como não lembrar do Drummond: "mundo vasto mundo..." mas vc está certo, tudo no mundo hoje é categorizado... Até o amor.
Bom dia!
;)

Poeta Mauro Rocha disse...

Paula, obrigado.

Canto da Boca, Drummond sempre Drummond, o mestre.Obrigado fico feliz com suas palavras.

Ravnos_Blacklotus disse...

Mundo fútil de substantivos...
em que as coisas morrem.
Até mesmo os abstratos substantivados
como o amor.

Suponho que quando algo se tranforme, mude, perca a essencia, possa ser considerada uma morte.

Clarice Lis disse...

É lindo andar por palavras, usa-las como caminho, pontes e estradas. Gostei muito.